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TECNOLOGIA
MOVIDO A AR

Empresa que desenvolveu o EV3 procura parceiros que produzam o veículo no País

O sonho do carro econômico e ecologicamente correto está tomando forma. O modelo EV3, desenvolvido pela Moteur Developpement International (MDI), deu origem a novas versões e hoje está em fase pré-comercial. No Brasil, a MDI procura parceiros interessados na produção do modelo. Movido a ar comprimido, o carro desenvolvido pelo engenheiro Guy Nègre (o mesmo que fez carreira na Fórnula 1) consegue a façanha da poluição zero. O motor desenvolvido por Nègre não funciona a combustão, utilizando apenas a compressão e descompressão do ar para mover os pistões.

Além da questão ecológica, a economia do modelo é atrativo a mais. Afinal, o sobe e desce dos preços dos combustíveis é um apelo comercial e tanto. Para abastecer os cilindros de ar do carro – com capacidade para armazenar 90 metros cúbicos (m³) – são gastos algo em torno de R$ 4, o que é suficiente para dar uma autonomia de até 200 a 300 quilômetros (km) ou 10 horas de funcionamento.

A autonomia do carro é ideal para quem roda menos de 60 km por dia – algo como ir e voltar do trabalho. Portanto, nada de planos de utilizar o EV3 para dar esticadinhas. O protótipo até encara uma estrada, mas, como acontece com outros motores, o aumento da velocidade média significa redução da quantidade de km rodados. Como não utiliza a combustão, a recomendação do fabricante quanto à troca de óleo é que ela seja feita a cada 50 mil quilômetros rodados. Para isso, segundo informações da MDI, basta comprar uma lata de óleo de soja no supermercado, pois o motor é lubrificado com óleo vegetal – o que significa mais um ponto no item economia.

Mesmo a utilização do ar-condicionado, que é o terror do consumo em modelos movidos a gasolina ou diesel, não assusta o condutor do MDI. Como o ar que é descomprimido sai a uma temperatura de -15°C, o mesmo ar pode ser reciclado para refrigerar o habitáculo do veículo.

Por enquanto, o principal ponto negativo é a potência do motor. As versões disponíveis atualmente não passam dos 25 cavalos de potência. Contudo, os engenheiros da empresa garantem que a versão comercial contará com 50 cavalos de potência máxima, sendo capaz de atingir a velocidade de 130 km/h. A falta de pontos de abastecimento é outro incoveniente. Como não existem postos de ar comprido disponíveis, o carro é equipado com um compressor que leva até 3h para encher os cilindros do veículo. A mesma operação, feita em um posto especializado, levaria apenas menos cerca de 4 minutos.

CARACTERÍSTICA – O MDI pode ser classificado como um monovolume, pois não há separações nítidas na carroceria entre habitáculo, compartimento do motor e porta-malas. Contudo, nem de longe o protótipo lembra o requinte de modelos como Picasso, Scénic ou Zafira.

Internamente, o modelo tem capacidade para transportar até cinco passageiros – na versão familiar. Há ainda as versões picape, táxi e furgão. Chama a atenção a disposição dos assentos. Na versão familiar, um dos pasasageiros viaja de costas, ao lado do motorista, ou de lado, à frente dos três ocupantes dos bancos traseiros.

Para os interessados no veículo politicamente correto, o preço é um item que também não assusta. A MDI está estimando o seu valor de venda em R$ 18 mil, valor compatível aos preços dos modelos populares.

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Jornal do Commercio
Recife - 28.10.2001
Domingo