METRÓPOLIS (Alemanha, 1926), de Fritz Lang. Sacrilégio inacreditável, o clássico mudo-expressionista ganhou versão colorizada em 1984 e sonorizada por Giorgio Moroder (compositor pop com uma queda por sintetizadores). Ironicamente, a versão de Moroder, com cor e música pop em som dolby, parece mais antiga que a versão original de Lang, feita há quase 80 anos. O filme foi apresentado há duas semanas no Festival de Berlim, com uma partitura que teria acompanhado a fita, nos anos 20, em exibições especiais. Em VHS, nas duas versões.
BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDRÓIDES (1982), de Ridley Scott, é um caso atípico de múltiplas versões, que ilustra a forma como o cinema é uma arte dirigida pelo mercado, ou pelo medo dele. Existem oficialmente duas versões: a lançada nos cinemas em 1982, depois em vídeo e na TV. E a Versão do Diretor, lançada nos cinemas em 93 (depois em vídeo, na TV e em DVD) com alterações feitas por Ridley Scott que incluem o sonho do unicórnio na floresta e a ausência de narração estilo noir. O final também é mais abrupto e aberto. Fãs do filme, no entanto, sabem que esta Versão do Diretor ainda deixa a desejar, especialmente por não trazer os detalhes de violência contidos na versão de 1982, lançada no mercado estrangeiro. Esta seria uma terceira versão extra-oficial do filme. Versão do Diretor em DVD e VHS. A ‘estrangeira’ pode ser encontrada em VHS nos EUA.
A MARCA DA MALDADE (Touch of Evil, EUA, 1958), de Orson Welles. A Universal queria um filme B do diretor decadente que havia feito anos antes Cidadão Kane, mas em troca, recebeu um dos melhores filmes noir do cinema. O estúdio mutilou o filme, trocou cenas e acrescentou música onde não existia. Há três anos, foi encontrado um memorando de 58 páginas onde Welles explicava detalhadamente para o chefão da Universal, na época, o que deveria ser feito com o seu filme. O montador de som de A Marca da Maldade, Walter Murch, seguiu à risca o memo e refez o filme em 1998, que acaba de sair em DVD nos EUA. Grande alteração: o plano ininterrupto da abertura agora corre sem créditos e sem música. Murch, hoje um dos mais respeitados montadores do cinema, trabalha atualmente na nova versão de Apocalypse Now, pelo qual ganhou um Oscar em 1979. DVD/VHS importado.
TIME CODE (EUA, 2000), de Mike Figgis (Despedida em Las Vegas), nos dá uma mostra do que ainda está por vir. O filme, gravado com quatro câmeras digitais em takes ininterruptos de 90 minutos (a tela é dividida em quatro partes) foi gravado 15 vezes até que Figgis e seu elenco chegassem a uma versão definitiva (não por acaso, a 15ª). Essa foi a versão lançada nos cinemas americanos, ano passado (filme permanece inédito no Brasil, sem previsão de lançamento). O DVD, no entanto, traz também a versão número 1, a primeira tentativa de Figgis em ter seu filme. É uma versão original (por ser a primeira) parecida com a ‘original’ (a lançada), mas, ao mesmo tempo, completamente diferente e, talvez por isso, em muitos aspectos, mais interessante. DVD importado.
UMA RUA CHAMADA PECADO (A Streetcar Named Desire, EUA, 1951), de Elia Kazan. Por mais inspirada que a adaptação de Kazan para a peça de Tennessee Williams tenha sido, é verdade que ela estava à frente do seu tempo. Na versão restaurada (lançada em vídeo nos anos 90), quatro minutos sugestivos e impressionantes (para 1951) foram recuperados, em especial, a cena da escada. Em DVD/VHS.
ALIENS – O RESGATE (Aliens, EUA, 1986), de James Cameron. Prova de que mais nem sempre quer dizer melhor. O thriller sci-fi de guerra ‘recupera’ 16 minutos que ficaram de fora na época do lançamento, mas que pouco acrescentam ao efeito geral do filme. Em especial, uma seqüência desastrada na colônia onde uma família descobre a nave alienígena, quebrando a antecipação da chegada dos soldados no mesmo planeta, meia hora depois, na versão dos cinemas.