No relançamento de Jornada nas Estrelas, George Lucas alterou o sentido do filme
O cuidado de que fala o diretor Steven Higgins, do Moma, em manter o filme o mais próximo da versão original, certamente, não era o que George Lucas tinha em mente quando ‘mexeu’ na sua trilogia Guerra Nas Estrelas, ao relançá-la em 1997. Ele não apenas limpou os negativos originais, como também refez o som e acrescentou cenas inéditas que, pelo menos em um caso específico, alterou o sentido do filme original e até mesmo o perfil de um dos seus personagens mais populares: Han Solo (Harrison Ford).
Numa cena crucial, na cantina, Solo conversa com Greedo, capanga de um inimigo seu. Na versão que o mundo inteiro viu em 1977, Solo interrompe a conversa matando Greedo com um tiro traiçoeiro. Na versão especial de 1997, Lucas fez Greedo atirar (e errar...) em Solo enxertando um tiro que nunca existiu, para Solo defender-se e, agora sim, matar o oponente.
Em entrevistas, na época do lançamento, Lucas explicou que “não queria que as crianças aprendessem a usar violência gratuitamente”. Com essa mentalidade, Rick (Humphrey Bogart) deixaria de ser um fumante inveterado em Casablanca e Vadinho (José Wilker), em Dona Flor e Seus Dois Maridos, reprimiria seu interesse pela mulher do próximo.
DVD – A questão das versões torna-se especialmente relevante na era do DVD, o formato doméstico e digital que tem trazido à tona uma série de filmes ‘perdidos’, em novas e preciosas cópias. “É uma das maiores revoluções do cinema atual”, diz o cineasta Carlos Reichembach (Anjos do Arrabalde, Dois Córregos), impressionado com a qualidade e a quantidade de lançamentos no formato, especialmente do catálogo de filmes italianos de horror, como os do cineasta Dario Argento, especialmente no mercado americano.
“Argento sempre teve suas obras mutiladas em países como os Estados Unidos. Agora, seus filmes estão vindo à tona como foram imaginados pelo realizador”, diz Reichembach, que lembra também de um clássico americano que se beneficiou da chamada ‘versão do diretor’: Meu Ódio Será Tua Herança, de Sam Peckinpah. Há nuances nessa nova versão que não existiam no filme que veio aos cinemas, na época”. (K.M.F.)