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INVESTIGAÇÃO
Dois PMs acusados de integrar bando responsável por chacina em Tabatinga

Dois soldados da Polícia Militar de Pernambuco estão sendo acusados de terem participado de uma chacina, em Camaragibe, na qual cinco pessoas foram mortas. O crime aconteceu no dia 18 de junho do ano passado na Rua Antônio de Castro, no bairro de Tabatinga. Em depoimento, os policiais Williams Barbosa Guimarães, 33 anos, e Augusto Valentim dos Santos, 41, negaram qualquer envolvimento no episódio.

Eles foram indiciados por homicídio duplamente qualificado e formação de bando ou quadrilha. “Como os dois têm emprego fixo, endereço conhecido e atenderam aos chamados da polícia irão responder em liberdade”, diz o delegado Roberto Geraldo Pereira, titular do Núcleo Especializado da Apuração de Homicídios Múltiplos (NEAHM). A provável participação dos PMs na chacina será apurada pela Corregedoria Geral de Polícia.

Um terceiro acusado, Carlos Roberto Souza da Silva, 20 anos, conhecido como “Lindo”, membro da turma do apito, foi detido há cerca de 15 dias e está preso no Presídio Aníbal Bruno. Segundo o delegado, Carlos Roberto tinha prisão preventiva decretada por outros crimes e está sendo investigado pela Delegacia da Mustardinha. Mais seis pessoas envolvidas encontram-se foragidas: Adelson da Silva Barbosa, Severino Ramos Gonçalves, Gilvan de Cavaleiro, o menor de 17 anos A.C.R.L.N., um identificado como “Jiraia” e outro ainda sem identificação.

O décimo integrande da quadrilha, Antônio Henrique Vieira Neto, conhecido como “Dando”, foi morto em um assalto no final do ano passado. As vítimas da chacina foram Adalberto Medeiros Bezerra, Luís Anderson de Santana Lima, Benildo Plácido da Silva, Valdeci Ferreira de Oliveira e Roberto Fernando da Silva. Os cinco foram assassinados num táxi, um Monza de placa KFL-4228, guiado por Luiz Anderson.

O delegado Roberto Geraldo disse que as vítimas estavam desarmadas e não tinham antecedentes criminais. “Nenhuma delas era o alvo dos assassinos, eles estavam atrás de “Lula” e “Maciel”, chefes de gangues do apito que atuam em Cavaleiro e suspeitos do assassinato de “Dinda da batatinha”, irmã de Antônio Henrique”. No depoimento à polícia, Carlos Roberto disse que organizou um grupo, com a participação dos PMs, para matar “Lula” e “Maciel” quando eles voltassem de uma festa em Tabatinga. “Eles viram os dois passar em um Monza. Depois, viram cinco pessoas voltando para pegar o Monza e atiraram com pistolas. Só que “Lula” e “Maciel” tinham resolvido ficar na festa”.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.03.2001
Segunda-feira