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POLÍMERO
O plástico que revolucionou a ciência

O material especial, usado nas novas notas de R$ 10, é tema da conferência que começa hoje e traz a Pernambuco dois ganhadores do Nobel de Química em 2000

por JANAÍNA ARAUJO
Especial para o JC

O que aviões invisíveis ao radar, TVs de tela plana, monitores de computador, e as novas notas de 10 reais têm em comum? Eles são produzidos com polímeros, um tipo de plástico especial, fabricado artificialmente a partir de substâncias químicas oxidantes e que permitem a condução de eletricidade. Foi a descoberta de que os polímeros, sob determinadas condições químicas, poderiam ser condutores de eletricidade que deu o Nobel de Química para dois químicos e um físico no ano passado.

Essa temática será um dos principais assuntos da VI Conferência Internacional de Polímeros e Materiais Avançados, que começa hoje e vai até a próxima sexta-feira, no Parthenon Golden Beach, em Piedade, Jaboatão dos Guararapes. Duzentos e cinqüenta participantes de 20 países estão confirmados, inclusive dois dos pesquisadores ganhadores do prêmio máximo da Química em 2000, os americanos Alan MacDiarmid e Alan Heeger.

O novo material é capaz de transformar eletricidade em luz sem produzir calor e pode ser usado em dispositivos luminosos de painéis de carros e nos visores de telefones celulares. Na Medicina, os polímeros podem servir para a fabricação de implantes e marcapassos ou, ainda, na reconstituição de músculos que perderam a capacidade de movimento. Também servem como matéria-prima de pára-choques de veículos, diminuindo o peso e contribuindo para reduzir o consumo de combustível.

De acordo com o chefe do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anderson Gomes, coordenador da conferência, tão importantes quanto os polímeros condutores são os semi-condutores. Foram eles que propiciaram a revolução na eletrônica, com os rádios e celulares, que utilizam pequenos transistores na comunicação.

Além disso, esses materiais especiais também são usados em dispositivos ópticos, nas telecomunicações, onde eles atuam como comutadores – processando as informações das ligações. “O ganho ocorrerá principalmente no momento em que conseguirmos desenvolver um sistema totalmente óptico. Então essas informações poderão ser mil vezes mais rápidas”, explica Anderson Gomes.

Os plásticos condutores de eletricidade também apresentam a vantagem de assumir qualquer forma, dependendo do molde, e de serem inquebráveis. Outro aspecto representativo para a eletrônica é a redução dos custos no uso desses materiais. “O celular, por exemplo, ficará possivelmente mais leve e com o custo barateado caso o polímero venha a ser usado como bateria”, argumenta Clécio Gomes, mestrando em Química na UFPE. Atualmente os celulares têm baterias fabricadas com metais, que pesam e, pior, são inviáveis ecologicamente por serem difíceis de reciclar.

PROGRAMAÇÃO – Realizada a cada dois anos, é a primeira vez que a conferência ocorre na América do Sul. Entre os destaques, estão os grupos de pesquisa da UFPE, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Católica de Campinas (Unicamp), que apresentarão estudos realizados na área de polímeros e outros materiais novos. Na abertura da conferência, são esperadas as presenças do vice-presidente da República, Marco Maciel, e do ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg. Durante os seis dias, haverá 195 sessões orais e de painéis, 66 palestras e 5 plenárias.

Durante o evento, a UFPE também apresentará seu modelo de cooperação internacional, que envolve transferência de tecnologia e de conhecimento entre estudantes e professores da universidade através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) e do Conselho Britânico.

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Jornal do Commercio
Recife - 04.03.2001
Domingo