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COMPORTAMENTO
Botija achada em Salgueiro só tinha muito dinheiro velho

Convertidas em Real, as notas valeriam R$ 340 mil. Quem achou continua na miséria e sonhando em fazer fortuna com um caminhão usado

POR EMANUEL ANDRADE
Especial para o JC

PETROLINA - Não fossem os consecutivos planos econômicos implantados no País desvalorizando a nossa moeda nos últimos quinze anos, o carregador Ivanildo Liberal Veras de Souza, 39 anos, podia ser considerado um homem rico. Após uma década de procura, só agora ele encontrou uma botija deixada por seu avô, Antônio de Águia que, aos 118 anos de idade, morreu doente no município de Salgueiro, quase no final da década de 80. Por ironia do destino, as milhares de notas e moedas achadas pelo neto do ex-comerciante já não tinham mais valor. Segundo o Banco do Brasil, se convertidos em Real, valeriam hoje, aproximadamente, R$ 340 mil.

A botija, feita numa caixa de madeira coberta com folha de zinco, estava enterrada no terreno onde se instalava a casa do bem sucedido comerciante, na periferia de Salgueiro. Como há cerca de 30 anos Liberal vive com a mãe na cidade de Petrolina, foi preciso fazer dezenas de viagens à terra natal, na tentativa de localizar o prometido presente. "Meu avô dizia que tinha um tesouro guardado para mim, sem revelar o que era. Só apontava que estava dentro de casa e pedia para evitar confusão", conta Ivanildo, revoltado por não ter descoberto a 'fortuna' a tempo de usufruir dela.

Ao abrir a caixa já danificada pelo cupim, veio a verdadeira surpresa ao se deparar com uma infinidade de notas de 200 e 500 cruzeiros, 5 mil cruzados, 1 mil cruzeiros de Reais, 50 cruzados novos e muitos outros valores. "Passei mais de dez anos procurando por isso e acabei perdendo o rumo de minha vida, ao ser abandonado pelas duas mulheres que tive", lamenta Ivanildo, chorando. Segundo ele, as ex-esposas não suportaram as constantes viagens que fazia com o objetivo de localizar o 'tesouro' do avô que era um bem sucedido dono de engenho no Sertão.

O sonho do carregador, que vive numa humilde casa com a mãe e duas filhas, fruto do 'primeiro casamento, é conseguir uma recompensa de pelo menos a metade do dinheiro. Ele argumenta ser um homem analfabeto sobre a economia nacional e diz não ter culpa de ter encontrado o dinheiro com tanto atraso. No entanto, quer uma oportunidade para ir ao programa do Ratinho ver se consegue sensibilizar o Banco Central. "Se eu conseguir um caminhão usado para trabalhar e uma carteira de habilitação pode ter certeza que estarei milionário", confessou Liberal.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.03.2001
Segunda-feira