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AMBIENTAÇÃO
A conversa chegou na cozinha

Foi-se o tempo em que cozinha era sinônimo de local engordurado que deveria permanecer afastado das visitas. Hoje, o espaço pode ser um dos mais charmosos do lar

por LUIZA BARROS

Funcionalidade. Essa é a palavra-chave no ambiente da casa onde se concentram boa parte dos afazeres domésticos: a cozinha. Para isso, é necessário que os objetos, móveis e utensílios estejam harmoniosamente arrumados, sempre à mão.

No mais, se antes havia um certo pudor em expor o reino de preparo de alimentos e lavagem dos pratos, escondendo-o em um canto isolado da casa, hoje o espaço já deve ser incorporado ao demais ambientes. Afinal, é um deleite quando a conversa finalmente chega à cozinha...

"Integrar a cozinha ao ambiente das refeições é importante. A cozinha americana, também conhecida como passa-pratos, é uma boa opção", afirma a arquiteta Tatiana Cavalcanti. Para ela, a tonalidade é um requisito importante e deve ser apropriada ao local. "Por causa da higiene, deve-se optar por cores claras, de preferência o branco como cor predominante. A claridade natural também é fundamental, por isso deve-se abrir uma janela, caso ela já não exista. Para colorir, pode-se usar detalhes na cerâmica da parede, formando mosaicos, ou alguns frisos", acrescenta.

TUDO PENDURADO – Quanto à arrumação dos móveis, a praticidade precisa reinar. "Há duas boas opções: transformar a cozinha em um corredor, com área central para circulação, colocando os móveis de um lado e do outro, ou fazê-la em forma de ilha, distribuindo o que for necessário ao redor do centro. Outra vantagem do corredor é que ele canaliza o ar e melhora a ventilação. Com o cuidado, claro, de sempre isolar o fogão", ensina o arquiteto Humberto Zírpoli.

Para ele, há variadas opções para aproveitar melhor as áreas reduzidas. "Um espelho em uma das paredes amplia o espaço", aconselha.

Outra boa dica para deixar utensílios sempre à mão é exibí-los. “Um grande varão em aço inox para pendurar conchas, espumadeiras e facas é ótimo”, diz Tatiana. Já para esconder alguma desordem (o que às vezes é inevitável) com um certo charme, a opção são os armários com portas em vidro laqueado. “Os materiais translúcidos são bastante leves. Assim se mostram os objetos ao mesmo tempo em que a bagunça é camuflada. Os revestimentos claros, aliás, são importantes em tudo, porque facilitam a limpeza e ampliam o espaço”, explica Zírpoli.

Para ele, outra boa ‘jogada’ é usar a mesa como armário e gaveteiro. “Distribuindo gavetas nos quatro cantos da mesa, os talheres ficam sempre à mão. Se faltou uma faca, basta se virar e pegar. A mesinha japonesa, mais baixa e rodeada de bancos, é ótima para esse tipo de solução”, diz Zírpoli.

Ainda nas gavetas, os divisores são peças fundamentais. “Pode-se fazer em madeira mesmo ou comprar pronto, tanto de plástico, que são mais baratos, quanto uns mais sofisticados”,

VIDRO NÃO – No balcão, deve-se levar em conta sua função primeira: lavagem de pratos. “Por isso, é importante deixar uma área molhada em volta da cuba, para a água escorrer”, recomenda o arquiteto. Ele diz, ainda, que os materiais mais indicados para sua confecção são mármore e granito.

“Outro forte concorrente é o inox. Mas eu descartaria totalmente muitas inovações, como mistura de materiais e o uso de vidro. Pode até ficar bonito, mas não é prático”, acrescenta.

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Jornal do Commercio
Recife - 04.03.2001
Domingo