Uma das cidades mais conhecidas do Brasil no exterior, Manaus ainda é um mistério para o turista nacional, que descobre ali um novo País
por ÂNGELA BELFORT
Da Editoria de Economia
Essa é talvez a única capital brasileira que soube valorizar o local pelo qual passa o rio. Manaus tem um clima de cidade litorânea com orla, calçadão, barzinhos e vista para um horizonte belíssimo formado pelas águas escuras do Rio Negro. Tudo é interessante neste lugar que tem características muito peculiares e nos mostra que existe um outro Brasil.
Da comida às lojas de artesanato, tudo tem a influência da floresta e dos índios. Também existem resquícios do áureo tempo em que a borracha significou prosperidade para a região. O marco mais simbólico deste período está no Teatro Amazonas, que, na sua construção, utilizou de material local apenas a madeira. O turista que passa pela cidade pode dividir o seu roteiro em dois.
Na visita, o turista pode destinar um dia para ir às lojas da Zona Franca, ao Teatro Amazonas, ao Museu do Índio e aos locais que vendem artesanato, junto à casa de espetáculos. Todos esses locais ficam no centro de Manaus e são razoavelmente próximos.
Outro local que os mais curiosos devem visitar é a feira da Panair, que foi utilizado como pista de pouso dos aviões da antiga companhia aérea Pan Air. Hoje, o espaço é uma mistura de feira e cais, no qual são vendidos produtos populares como a castanha-do-Pará, peixes do Rio Amazonas, pimentas dos mais diversos tipos, frutas da região e condimentos preparados como um tucupi cozido que “pode ser usado qualquer época”, como afirmou a vendedora Maria Franco, que prepara o produto à base de ervas e pimentas. Os nativos sugerem que os turistas formem grupos para ir à feira da Panair, porque o local oferece alguns riscos, como pequenos furtos. Nada que o recifense não esteja acostumado.
OLHO DE JACARÉ – O Rio Negro e a Floresta Amazônica podem proporcionar passeios incríveis. O Rio Amazonas, o segundo maior do mundo, é formado pelo encontro das águas dos rios Negro e Solimões. Os amazonenses nomearam a junção destes dois gigantes de Encontro das Águas.
No local onde os dois rios se encontram, a natureza oferece mais um espetáculo ao seu visitante. As águas negras do rio de mesmo nome não se misturam com as águas barrentas do Rio Solimões nos próximos 16 quilômetros. Somente depois disso a água do Amazonas adquire uma coloração única.
O Rio Negro é tão grande que tem onda e praias. É nele que está o maior arquipélago fluvial do mundo. Chama-se Anavilhanas e tem 280 ilhas. As ilhas que possuem áreas que não ficam inundadas, quando o rio enche, se transformam em praias que têm uma areia fina e se assemelham a uma praia marítima. Os hotéis da floresta oferecem passeios. Uma volta de barco pelo Negro oferece dois espetáculos da natureza: o primeiro é o impressionante volume de água. O segundo que ele corta trechos belíssimos de uma parte de uma floresta que está praticamente intocada.
Os hotéis da floresta também oferecem passeios pelos igarapés, palavra indígena que significa local ao qual só se tem acesso de canoa. O tom de aventura é grande porque na maioria dos igarapés existem piranhas, “mas a canoa não vira”, segundo um nativo. À noite, geralmente o passeio é num igarapé em que a canoa desliza. A escuridão é total e só são vistos os olhos alaranjados dos jacarés maiores, que fogem dos turistas e do canoeiro.
Existem dois tipos de passeio por esses locais: um é feito à noite, para quem quer visualizar jacarés, o barulho e a escuridão da selva, que transmitem uma tranqüilidade absurda para quem vive num mundo de corre-corre e tecnologia. O segundo é feito de dia e impressiona porque se vê de perto árvores enormes, como as samauneiras e ainda pode se passar por cima de um tipo de mato que cresce em cima do rio neste período em que não há inundação. Nos locais em que se concentra muito mato, os turistas têm que se balançar na canoa para que a embarcação desencalhe.
Outra paisagem belíssima é ver sol de pôr dentro do Rio Negro ou do Rio Amazonas. É um espetáculo. Caso o turista esteja num hotel da capital também pode entrar em contato com as agências de viagens locais que formam grupos para realizar passeios pelos rios e pela floresta. Lembre-se: chove na cidade várias vezes num mesmo dia. E, a título de precaução, quem vai para lá não deve se esquecer de tomar a vacina de febre amarela dez dias antes de iniciar a viagem.
A jornalista viajou a convite da Globalstar.