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MANAUS II
Teatro é o maior símbolo da época de ouro

Construído no auge do ciclo econômico da borracha, o Teatro Amazonas conta uma parte da história da região, da riqueza que já passou por ali e da criatividade de artistas pernambucanos, italianos e outros que construíram uma das mais belas casas de espetáculos do Brasil.

Inaugurado em 31 de dezembro de 1896, o teatro conserva grande parte das suas pinturas originais, máscaras (usadas na sua decoração) e piso. A cortina, que fica em frente ao palco, foi pintada pelo artista plástico pernambucano Crispim do Amaral, que retratou o Encontro das Águas numa figura central de mulher que é a Iara, considerada a deusa das águas doces para os índios. A cortina de 15 metros só se manteve intacta porque nestes mais de 100 anos nunca foi dobrada.

O Encontro das Águas ainda é lembrado numa parte do chão do teatro, que é formado por listras que contrastam uma linha de madeira clara e outra de madeira escura. Impressionante também é o Salão de Baile do teatro, que era usado pelos barões da borracha para realizarem as suas festas.

O piso do salão é formado por 12 mil pedaços de madeira que se encaixam como num grande quebra-cabeça. Os pedaços são de quatro tipo de árvores diferentes, cada uma com uma cor específica.

Todas as pinturas representam a fauna e a flora de Manaus com exceção de um quadro da onde se vê a ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Outro detalhe: as pequenas ruas que circulam a praça, em frente ao teatro, já foram todas cobertas com borrachas para impedir que o som das carruagens atrapalhasse os espetáculos.

O teatro também tem uma sala de exposições de móveis, originais da época da inauguração. Lá, o visitante também encontra as sapatilhas da famosa bailarina inglesa Margot Fonteyn que se apresentou no local em setembro de 1975. Os lustres são de bronze francês e os cristais são italianos, assim como os diversos tipos de mármores empregados nas paredes. Na Itália também foram produzidas algumas pinturas que decoram o teatro. Tudo isso passou literalmente por dentro da selva para chegar à casa de espetáculos.

SERVIÇO

Teatro Amazonas Praça São Sebastião, s/nº, Centro. Tel. (092) 6221880.A visita custa R$ 5

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Jornal do Commercio
Recife - 01.03.2001
Quinta-feira