Fernando Henrique anunciou que cumprirá todos os compromissos assumidos e tentará convencer outros países a fazerem o mesmo
BRASÍLIA – O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ontem a decisão de seu colega norte-americano, George W. Bush, de não ratificar o protocolo de Kyoto, atitude que foi qualificada de “um passo atrás” na luta para proteger o planeta.
No discurso de abertura do Fórum Brasileiro sobre Mudanças Climáticas, que está sendo realizado durante esta semana em Brasília, o presidente brasileiro reiterou a intenção do País de ratificar este protocolo na reunião sobre mudanças climáticas que começará no dia 16 de julho em Bonn (Alemanha).
O presidente assegurou que o Brasil atuará “com responsabilidade” e cumprirá todos os compromissos previstos, e que também tentará convencer outros países a cumprirem suas obrigações.
FHC lembrou que o consenso internacional é “imprescindível” para aliviar o aquecimento da atmosfera. O presidente reiterou que o nível de responsabilidade é diferente dependendo dos países e que por isso as obrigações também deveriam ser divididas de maneira eqüitativa.
Segundo dados das Nações Unidas, 75% do dióxido de carbono (CO2) emitido no planeta procedem dos países desenvolvidos e só os Estados Unidos produzem 25% deste gás.
LIMPEZA – O presidente destacou a “limpeza” ambiental que preside as políticas de desenvolvimento brasileiras. Segundo dados da Chancelaria, o Brasil produz 300 quilos de dióxido de carbono por habitante ao ano, enquanto os Estados Unidos emitem cinco toneladas por cidadão no mesmo período.
O Protocolo de Kyoto é um mecanismo que estipula critérios para a divisão de responsabilidades em relação à diminuição de emissões entre as nações. Nele, os países industrializados, que são os maiores emissores de gases do efeito-estufa, têm uma conta maior a pagar. Assim, teriam que reduzir suas emissões em 5,8%, em média em relação aos valores de 1990, entre os anos de 2008 e 2010.
Na outra ponta, estariam os países em desenvolvimento, que precisam continuar emitindo para poder se industrializar e crescer. Nesta relação, estão países como Brasil, China e Índia que, em algum momento, também terão que colaborar no pagamento.
A posição do presidente norte-americano George Bush, de não ratificar o Protocolo, é justamente por não concordar em como foi feita a divisão da responsabilidade, em que o país é um dos mais penalizados.