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ARMAS LEVES
Brasileiro mata demais

Entre 1990 e 1999, 28 mil pessoas morreram por esse tipo e armamento, conforme resultados de uma pesquisa divulgada em Genebra, que será alvo de estudos em conferência da ONU

GENEBRA – Apesar de não estar em guerra, o Brasil é um dos países onde ocorrem mais mortes por causa do uso de armas leves no mundo. Entre 1990 e 1999, 28 mil pessoas morreram atingidas por esse tipo de armamento, o que representa entre 9% e 13% do total dos casos no planeta provocados por armas leves.

Os dados constam do relatório divulgado ontem pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra. A pesquisa servirá de referência para a Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre armas leves, que começa na semana que vem em Nova Iorque e reunirá diplomatas de mais de 100 países. Para a ONU, o conceito de armas leves inclui todos os tipos de portáteis.

Segundo o relatório, além dos problemas sociais e econômicos do Brasil, uma das principais causas para a violência no País é a facilidade de adquirir armamento. A pesquisa, chefiada pelo canadense Keith Krause, aponta que cerca de 550 milhões de armas estão em circulação hoje no mundo.

O Brasil ocupa uma preocupante posição de destaque nesse índice. O País é o quinto maior produtor de armas leves e – ao lado da Rússia – o terceiro maior exportador, com comércio que movimenta US$ 150 milhões por ano.

A pesquisa aponta ainda o tráfico de armas ilegais no território brasileiro. “Apesar de não representar nem sequer um quinto das vendas mundiais, que somam quase US$ 6 bilhões por ano, as armas ilegais são as principais responsáveis pela violência”, diz o relatório.

A pesquisa internacional aponta que parte dessas armas ilegais é produzida pelas empresas brasileiras e exportadas legalmente para o Paraguai. Lá, elas são vendidas sem controle a brasileiros, que voltam ao País com o armamento. Em um ano, quase dois mil foram compradas no Paraguai por brasileiros.

O poder bélico do Brasil ainda inclui uma das maiores indústrias de munição dos países em desenvolvimento. As empresas CBC e Realengo, juntas, são responsáveis por uma renda de US$ 35 milhões.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.07.2001
Quinta-feira

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