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ELEIÇÃO
Deputado propõe projeto de lei que ameaça democracia na UPE

Em vez do pleito direto, Antônio Mariano (PFL) sugere a elaboração de uma lista tríplice que deverá ser submetida ao governador Jarbas Vasconcelos

A possibilidade de haver mudanças no processo de eleição para reitor, vice-reitor e diretores das faculdades e unidades de saúde que compõem a Universidade de Pernambuco (UPE) está causando polêmica no meio acadêmico da instituição. Em vez de manter a escolha pelo pleito direto, no qual os votos dos professores, alunos e servidores têm valores iguais, um projeto de lei do deputado Antônio Mariano (PFL) prevê a elaboração de uma lista tríplice que deverá ser submetida ao governador Jarbas Vasconcelos. Nesse caso, o governador passaria a ser o único responsável pela nomeação dos dirigentes. A lei, caso seja aprovada, é totalmente contrária à atual política adotada pelo Governo do Estado de descentralizar a escolha dos diretores das escolas.

Enquanto a Associação dos Docentes da UPE (Adupe), o Sindicato dos Servidores (Sind-UPE) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmam que o projeto “fere a democracia”, o deputado garante que, ao contrário, estará democratizando ainda mais a disputa pelos cargos. Pela proposta – que ainda precisa ser discutida pela Comissão de Justiça da Assembléia Legislativa antes de seguir para apreciação dos deputados –, os votos das três categorias que compõem a universidade terão pesos diferenciados: professores, 70%; servidores, 15%; e alunos, também 15%.

“O projeto não retira o direito de voto, pois a eleição não deixará de ocorrer. Mas a palavra final será do governador Jarbas Vasconcelos, a partir da lista tríplice que será apresentada”, explica o deputado Antônio Mariano. O problema, na opinião do parlamentar, é que as pessoas querem permanecer nos cargos. “Faz tempo que não há rodízio na UPE. Há muito apadrinhamento e queremos acabar com isso”, argumenta o deputado.

Para o vice-reitor da UPE, Armando Carneiro, a adoção de um modelo de eleição diferente do que existe hoje é um atraso. “Defendemos a continuidade do processo democrático. Somos totalmente contrários a esse projeto, pois ele representa um retrocesso na universidade”, argumenta Armando Carneiro. “A responsabilidade dos dirigentes, quando escolhidos pelo voto direto, é muito maior, pois há o compromisso de dar um retorno à comunidade acadêmica”, considera Armando. “Todos os indicadores mostram que a UPE cresceu nos últimos anos. Não entendo por que mudar algo que está dando certo, como é a eleição direta”, complementa o pró-reitor de Planejamento, Carlos Calado.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.07.2001
Quinta-feira