O Programa Convívio com a Seca, lançado no último dia 21 pelo Governo Federal, continua despertando a insatisfação dos agricultores pernambucanos. Nos próximos 15 dias, cerca de 230 mil pessoas ligadas à Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape) prometem realizar um grande protesto às ações do plano, consideradas insuficientes e eleitoreiras, pelo diretor de Reforma Agrária da entidade, João Santos.
As estratégias da mobilização estão sob sigilo e foram elaboradas durante dois dias de reunião (ontem e terça-feira), no município de Carpina, entre dirigentes da Fetape e presidentes dos sindicatos rurais dos 127 municípios em calamidade e situação de emergência do Estado. Segundo João Santos, os cerca de 230 mil trabalhadores devem reagir ao plano, porque ficarão de fora da bolsa-renda, ajuda de custo de R$ 60 mais uma cesta básica com 13 quilos de alimentos, que contemplará 173,4 mil cadastrados de Pernambuco.
“Esse número é insuficiente. Já colocamos nossa insatisfação diante dessa quantia na reunião do Conselho Estadual de Desenvolvimento, que ocorreu na última sexta-feira. Quando repassamos a informação para os presidentes dos sindicatos, nesses dias de reunião, a indignação se repetiu. Até porque há municípios em plena miséria, como Afrânio e Dormentes”, declarou o diretor de Reforma Agrária da Fetape.
Segundo ele, o protesto quer pressionar o Governo Federal não só na ampliação do número de bolsas como também no aumento do volume de verbas para projetos de recursos hídricos. “O programa de convívio com a seca só prevê R$ 500 milhões para obras hídricas em todo o Nordeste. Esse dinheiro não dão para nada. Além disso, é preciso fazer uma definição exata dos projetos que serão executados”, complementou.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, disse que a Fetape deve apresentar uma proposta de ampliação do número de bolsas-renda ao Conselho Estadual de Desenvolvimento, justificando os motivos do aumento. “Não posso e nem tenho como avaliar o pedido, até porque ainda não tomei conhecimento de nada disso. Mas há uma disposição do Governo Federal para analisar as propostas”, explicou.