O Diretório Central dos Estudantes da instituição já articula encontro com os demais deputados de Pernambuco para convencê-los a votar contra a medida. Docentes também estão mobilizados
Se depender do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Pernambuco (UPE), o projeto de lei do deputado Antônio Mariano (PFL) não será facilmente aprovado na Assembléia Legislativa. Os estudantes prometem fazer muito barulho assim que as aulas forem retomadas, em agosto. “Vamos mobilizar os universitários para impedir que o projeto passe na Assembléia. É uma lei autoritária e que fere o direito à democracia, além de não contar com o apoio da comunidade acadêmica”, ressalta a diretora do DCE Vanessa Nascimento.
A Associação dos Docentes da UPE (Adupe) também garante que vai pressionar os deputados. “Ninguém da universidade foi chamado para discutir o assunto. A UPE avançou muito com a gestão democrática e não vamos aceitar que haja uma volta ao passado. Servidores, professores e alunos estão unidos para evitar a aprovação do projeto de lei”, diz o presidente da entidade, Roberto Burkhardt.
O modelo proposto pelo deputado Antônio Mariano é semelhante ao adotado pelas universidades Federal (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Em ambas as instituições, há uma consulta à comunidade acadêmica, que elege três nomes. Os votos dos professores valem 70%, dos funcionários 15% e dos alunos também 15%. Em seguida, a lista tríplice é submetida à aprovação do Conselho Eleitoral Especial, no caso da UFPE, e dos Conselhos Universitário, de Ensino e Pesquisa e de Curadores, no caso da UFRPE. A relação é enviada a Brasília, para que o presidente da República escolha um dos eleitos.
Em julho de 98, alunos e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) invadiram a reitoria da instituição para protestar contra a nomeação do professor José Henrique Vilhena para o cargo de reitor. Apesar de ter sido o terceiro colocado na eleição, ele foi o indicado pelo Ministério da Educação para desempenhar a função.