Adeildo Nunes adiou a sua ida à penitenciária para sexta-feira, porque não havia concluído a análise dos 348 processos que aguardavam parecer de pedidos de benefícios. Direção temia que isso provocasse novo motim
Oito dias depois de a Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, ser parcialmente destruída durante rebelião de 800 presos, o clima de tensão voltou a tomar conta da unidade durante todo o dia de ontem. Temendo que os presos pudessem ter uma reação violenta diante do adiamento da visita do juiz da 1ª Vara das Execuções Penais, Adeildo Nunes, programada para ontem, a direção da penitenciária acionou o Batalhão de Choque da Polícia Militar (BPChoque). Setenta soldados chegaram à unidade às 15h30, meia hora antes do fim do encontro conjugal de presos, quando era a maior o risco de algum tumulto.
O juiz Adeildo Nunes adiou a sua ida à penitenciária para sexta-feira, porque não havia concluído a análise dos 348 processos que aguardavam parecer de pedidos de benefícios, como progressão de regime, alvará de soltura e comutação de pena. Até ontem, ele tinha analisado 200 processos, dos quais apenas 50 teriam direito a benefícios de imediato. “Eu só vou à Barreto Campelo quando terminar de analisar todos os processos. Quero me reunir com os presos e resolver caso a caso”, garantiu.
Para dar a notícia aos detentos, o superintendente do Sistema Penitenciário do Estado, coronel Geraldo Severiano, reuniu os principais grupos considerados líderes dentro da unidade e explicou a situação. “Passamos o dia na expectativa, porque os presos tinham dito que esperariam até ontem por uma posição do juiz. Mas depois que colocamos a situação para eles, explicando que Adeildo Nunes só virá quando terminar a análise dos 348 processos, eles decidiram esperar mais um pouco”, afirmou o coronel Geraldo Severiano.
A direção da unidade temia que um conflito acontecesse depois do encontro conjugal. “Nós sabíamos que a probabilidade de alguma coisa acontecer enquanto as mulheres estavam dentro da unidade era muito pequena. O perigo era depois e, por isso, chamamos o BPChoque”, explicou o diretor da penitenciária, major Edilson Monteiro. Os soldados do Choque pemaneceram na unidade até o início da noite e, para garantir a segurança da direção, participaram da contagem dos presos.