Esgoto gerado por 120 mil pessoas, agrotóxicos e um resíduo da produção de farinha de mandioca estão agredindo o rio, segundo denúncia de pesquisadores da UFPE
A Bacia do Rio Tapacurá, responsável pelo abastecimento de cerca de um milhão de pessoas no Grande Recife, está ameaçada por esgoto, agrotóxicos e manipueira, um resíduo da produção de farinha de mandioca altamente tóxico. As agressões ambientais, que põem em risco a qualidade da água, foram levantadas por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), resumida num livro com lançamento marcado para hoje, às 10h30, no auditório do Centro de Tecnologia e Geociências.
O rio recebe o esgoto gerado por 120 mil habitantes de Pombos e Vitória de Santo Antão, as duas maiores cidades cortadas pelo Tapacurá. A carga de matéria orgânica é tão grande que resulta num processo chamado eutrofização, que é o aumento da quantidade de nutrientes na água, principalmente fósforo e nitrogênio, favorecendo a proliferação de algas tóxicas.
Já foram identificadas sete tipos de algas mais freqüentes na água do reservatório e nos filtros da estação, com 13 quilômetros quadrados. Um delas, a do gênero Microcystis, é a mesma que provocou a morte de mais de 60 pacientes de hemodiálise em Caruaru, em 1996. “A presença de algas onera os curso do sistema de abastecimento e inviabiliza a captação d’água”, explica o coordenador da pesquisa, o biólogo Ricardo Braga.
Outra ameaça à bacia hidrográfica é a manipueira. De acordo com o estudo, sete das 33 casas de farinha instaladas na bacia descartam por dia 70 metros cúbicos do resíduo. A manipueira, explica Braga, contém dois componentes com forte potencial poluidor: a matéria orgânica biodegradável e o ácido cianídrico. A substância, altamente tóxica, é volátil e pode causar a morte por inalação ou ingestão.
Já a matéria orgânica, que requer muito oxigênio da água para se decompor. A chamada demanda bioquímica de oxigênio (DBO) por tonelada de mandioca utilizada, afirma o biólogo, é equivalente à do esgoto gerado por 150 a 200 habitantes.
LIVRO – “Gestão Ambiental do Rio Tapacurá – Plano de Ação” é o título da publicação, com 101 páginas. O livro orientará o trabalho do comitê de bacia, o grupo com representantes do governo e da sociedade civil que deverá ordenar o uso dos recursos naturais da bacia, especialmente a água.