O Sindicato dos Tecelões do Recife está organizando um ato público para o próximo dia 18, às 15h, no centro de Camaragibe. No evento, os trabalhadores vão pedir para que os Governos do Estado e do município evitem o fechamento da Braspérola.
“A empresa é o único grande empreendimento instalado em Camaragibe e queremos manter os empregos gerados pela fábrica”, disse o presidente do Sindicato dos Tecelões do Recife, Jorge Mário de Souza.
Segundo ele, também estão sendo feitos contatos com a Prefeitura de Camaragibe e o Governo do Estado no sentido de evitar a desativação da empresa.
Na última segunda-feira, a Braspérola colocou 500 dos seus funcionários de licença remunerada e desativou a produção de fios de linho devido à falta de matéria-prima. Há pouco mais de três meses, chegaram 150 toneladas de fibras de linho no Porto de Suape, que não foram retiradas por falta de condições financeiras da empresa.
A mercadoria que está retida em Suape vale aproximadamente R$ 350 mil. A companhia tem uma capacidade de consumir até 300 toneladas de fibras de linho por mês.
Atualmente, a empresa tem a área administrativa funcionando e uma linha de produção que fabrica fios de algodão. Dos 770 funcionários, 270 estão trabalhando.
A situação financeira da empresa se agravou com a suspensão, pelo Governo Federal, do financiamento para a compra de matéria-prima importada, segundo o gerente da unidade de Camaragibe, Luís Alberto Rodrigues. Ele informou também que as altas do dólar que ocorreram em 1999 e em 2001 trouxeram impactos negativos nas contas da empresa.
“A nossa matéria-prima dobrou de preço por causa do dólar e tivemos que vender o produto em real”, comentou Rodrigues.