JC OnLine - Editoria Caderno C
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A ilha da fantasia

por CAROL ALMEIDA

Há quem diga que as crianças vivem num mundo paralelo. Que criam personagens, guardam-se em invenções e elaboram histórias fantásticas. Justificativas para isso? Elas não precisam. Quando uma criança pergunta o porquê de algo (e elas perguntam muito), tenha certeza que essa dúvida se refere ao ‘mundo dos adultos’. Tanto é assim que, até hoje, um dos maiores enigmas da humanidade é entender como funciona o raciocínio das ‘pessoas pequenas’. Pois, mesmo sabendo que todos já passaram pela idade do algodão-doce, pouco se lembra dessa fase. De forma que criar uma história para uma criança é o mesmo que entrar vendado em mares somente navegados por vagas memórias.

Pois bem, julho começa na próxima semana e, com ele, desembarcam as férias escolares e o medo dos pais de que seus filhos entrem num ócio criativo. No entanto, a depender das pessoas que ainda se esforçam para compreender e repassar, em livros, o universo infanto-juvenil, esse mês de julho pode se transformar em algo bem mais rentável para o potencial criativo das crianças.

E a primeira lição para os pais é: nunca subestimar a literatura. Como explicar, por exemplo, o sucesso de vendas de um rapaz, conhecido pelo nome de Harry Potter. A mais brilhante idéia da escritora inglesa J.K. Rowling vende, somente no Brasil, mais do que qualquer outro título. Editado com até 580 páginas, sem ilustrações internas e rico em vocabulário que chega a ser erudito até mesmo para um adulto, Harry Potter, a série, é número um na preferência dos pré-adolescentes. No Recife, a quarta história desse jovem mago, Harry Potter e o Cálice de Fogo, vendeu centenas de exemplares em apenas uma semana depois de lançado e conseguiu ser mais procurado que Érico Veríssimo, Sidney Sheldon e outros best-sellers das livrarias locais. Sua história chega em breve aos cinemas e deve sair também em quadrinhos no próximo ano.

A felicidade financeira de J.K. Rowling é, no entanto, o extremo do iceberg. A produção de livros infanto-juvenis no Brasil é recordista em edições premiadas mundialmente (Ana Maria Machado é o melhor exemplo disso) e sempre traz renovações no quesito lançamentos, embora o mercado não tenha um retorno à altura dos compradores, ou seja, os pais. E já que as prateleiras estão sempre cheias de novidades, o JC Em Cartaz fez uma lista de publicações que não deveriam passar despercebidas pelas livrarias:

Brasileiros: O Tesouro das Cantigas para Crianças, organização de Ana Maria Machado e ilustrações de Cláudio Martins: um clássico que deve ser guardado em espaço nobre da prateleira. Várias cantigas de infâncias são belamente ilustradas nessa edição, que ainda vem acompanhada de um CD. Tem de “cai, cai balão” até “marcha soldado, cabeça de papel”. Histórias para quando a Lua Aparecer no Céu, de Januária Cristina Alves, ilustrações de Andréia Vieira: a autora tem especialização pela Universidade de São Paulo em Ação Cultural com Crianças e Jovens e conhece bem o ritmo de leitura das crianças. A Cidade que Perdeu o seu Mar, de Elias José, ilustrações de Marilda Castanha: nada como uma boa história cercada por excelentes e inspiradas imagens. O Vôo do Cobertor Esfiapado, de Marilia Pacheco, ilustrações de Luís Montanari: as irmãs Juju e Maricota descobrem um dia que um simples cobertor pode levá-las para outros planetas.

Estrangeiros: A Bíblia das Meninas e A Bíblia dos Meninos, de Carolyn Larsen, ilustrações de Caron Turk: feito por encomenda para pais que desejam repassar a história de Jesus de uma maneira mais leve e dinâmica, repleta de imagens. Madalena, uma Porquinha Executiva, de Karen Wallace e Lydia Monks: conta a história de uma porquinha que, bastante estressada com a rotina da cidade grande, parte para uma terapia no campo, onde encontra outros porquinhos felizes da vida. Aída, de Leontyne Price, ilustrações de Leo e Diane Dillon: projeto apoiado pela editora Ática em publicar clássicos recontados em versões infanto-juvenis; neste caso, a protagonista da narrativa é a personagem-título, uma princesa africana criada pela ópera de Giuseppe Verdi.

E para quem precisa de um estímulo ainda maior, ao lado segue uma lista de cursos que pode animar o próximo mês sem implicações como dever de casa ou obrigações semelhantes.

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Jornal do Commercio
Recife - 29.06.2001
Sexta-feira