por JOSA MACEDO
Quando se fala em decisão Náutico x Santa Cruz, nos últimos oito anos, surge sempre uma lembrança boa para os tricolores e traumática para os alvirrubros. No dia 28 de julho de 1993, o time tricolor virou um jogo quase perdido em cima do Náutico, com um gol aos 44 minutos do segundo tempo para, heroicamente, sustentar um 0x0 na prorrogação e ganhar o título estadual. O autor do gol fatídico para os alvirrubros foi o atacante sergipano Célio.
Aquela derrota contribuiu decisivamente para que os adversários impusessem à agremiação da Avenida Conselheiro Rosa e Silva o estigma de time que nada, nada e morre na praia, conforme estão sempre lembrando em forma de chacota nos últimos 11 anos, período em que o Náutico foi vice-campeão cinco vezes (91, 92, 93, 94 e 95).
O que muda daquela fatídica noite para os alvirrubros é a ausência do principal personagem da história: o sergipano Célio, natural de Propriá, que foi registrado com o nome de José Sérgio Dantas e até hoje não sabe por que ficou conhecido por Célio. “Desta vez é outro jogo, com outros personagens e a história pode ser diferente”, comenta.
O atacante diz que ainda hoje não sabe como fez aquele gol. “Parreira (zagueiro do Náutico) era muito alto e como eu só tenho 1,64m sabia que só teria chance na sua frente se ocorresse uma falha”, reconhece. Foi quando, num momento de desespero e preocupado com o tempo do jogo, o lateral Araújo deu um chutão de uma barra a outra. Parreira mergulhou, dando um ‘peixinho’ para cabecear e falhou, a bola passou por debaixo dele. Célio, oportunista, chutou cruzado e rasteiro do lado direito da grande área, para decretar o gol da vitória e o carnaval da torcida do Santa Cruz. “Marcelo e Gil pediram a bola, mas eu resolvi chutá-la, até hoje Paraíba, o goleiro do Náutico, nunca acreditou num lance daquele”, explica Célio.
Depois dessa noite Célio passou a ter um tratamento melhor dos dirigentes do Santa Cruz. Seu passe foi comprado por uma quantia hoje equivalente a, aproximadamente, 50 mil reais ao São Cristóvão de Carmópolis/SE, no qual ele havia sido artilheiro do Estadual. Mesmo com os 22 gols marcados e com apenas 23 anos, Célio foi tratado com desprezo quando apresentou-se no Arruda indicado por um dirigente do São Cristovão. “Só não passei fome porque paguei meu almoço, mas não escapei da humilhação de ser submetido a um teste para ser contratado”, recorda o atacante, que depois defendeu CRB/AL, Náutico (para testes) e Centro Limoeirense, este ano, e aguarda uma nova chance para mostrar as suas qualidades de artilheiro.