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CRISE
FÉRIAS DO APAGÃO

A crise de energia elétrica impõe uma mudança de comportamento nas férias infantis. Símbolos da infância moderna, jogos eletrônicos, computadores e TVs devem ser deixados de lado

por PRISCILLA DANTAS

Mamães e papais, atenção: chegaram as férias da meninada. Está na hora dos baixinhos desfrutarem de momentos de alegria e descontração. Ops! Esperem aí... Se vocês estão pensando em liberar os filhos em casa para brincar à vontade: cuidado. As regras da economia de energia estão aí para limitar o sorriso da garotada, exigindo paciência e criatividade redobradas. Uma mudança radical no comportamento infantil se anuncia: em vez dos jogos eletrônicos e televisores que marcam a infância contemporânea, brincadeiras tradicionais serão a alternativa para os meninos que vão passar as férias escolares em plena crise energética.

Por causa da crise, a Companhia de Energia Elétrica de Pernambuco aconselha que, durante este mês, os pais aumentem a atenção às cotas de racionamento. Conforme o gestor da unidade de mercado da Celpe, Frederico Dias Diniz, julho é um mês em que o consumo residencial se eleva, já que as crianças passam mais tempo em casa. “Julho tem índices de gastos 3% maiores do que agosto, o mês da volta às aulas. Por isso, as famílias precisam regular o uso de aparelhos eletro-eletrônicos como televisores, videogames e computadores.” Diniz lembra também que as geladeiras representam um grande perigo. “É bom ficar de olho, porque crianças têm o costume de deixar a porta aberta”, avisa.

A pequena Tainã de Souza, de 11 anos, afirma que sua mãe está seguindo as recomendações da Celpe e que ela já formulou um rigoroso código de normas para as férias. “Só posso usar a Internet nos finais de semana, e bem rapidinho. Quando saio da sala, tenho sempre que desligar a TV. Banho quente, nem pensar! Na minha casa tem duas televisões e eu não posso usar uma delas para assistir a um programa que não seja o que os meus pais estão vendo”, lamenta. “Música, só em rádio de pilha”, conforma-se Tainã.

Mãe de três filhos, Rafael, 11, Bruno, 10 e Gustavo, 6, a pedagoga Tereza Cristina Figueiredo revela que não vai ser fácil convencer seus pimpolhos de que, assim como no período das aulas, eles deverão assumir responsabilidades. No caso, a de economizar energia. “Vai ser muito complicado. Todos adoram assistir à televisão e jogar videogame. O mais velho é o mais difícil de driblar”, conta.

Tereza diz ainda que só não está mais desesperada porque suas próprias férias coincidirão com as dos meninos. “Como esse ano não viajaremos, já bolei atividades que compensarão a ausência dos jogos eletrônicos e da televisão. Para não gastar muito, planejei visitas a parques e a shoppings”, conta Tereza que, além disso, já organizou com as cunhadas campeonatos de futebol e vôlei na rua da sogra, onde há muitas crianças. “Estou fazendo de tudo para tirar os meninos de casa e evitar os ‘esperneios’ gerados pelo racionamento”.

MAMÃE-APAGÃO - A psicóloga Solange Campelo Mota concorda com as atitudes da ‘mamãe-apagão’ e enfatiza a importância do período para a garotada. “É imprescindível que os pais mostrem o sabor das férias para os filhos num período em que as opções de brincadeira ficaram mais restritas.” Para Solange, seria interessante que os responsáveis conseguissem negociar um horário no trabalho para ficar ao lado das crianças. “A família inteira deve aproveitar as férias, fora de casa”, aconselha.

A especialista aponta que, ao invés de abolir os jogos eletrônicos, os responsáveis pela meninada devem substituí-los por uma outra atividade mais prazerosa. “Recomendo para os pais que têm dúvidas no que fazer, que eles comecem limitando os horários. Depois, creio que eles devam oferecer jogos e brinquedos que prendam a atenção e que gastem tempo”, orienta a psicóloga, dando a dica de que, se os pais moram em apartamentos, eles podem, juntamente com outros condôminos, contratar uma empresa especializada em recreação.

A empresária Daniele Guerrero, mãe de Camila, 7, e Cristiane, 4, avalia ter acertado quando comprou novidades para as férias das filhas. Pensando na crise, ela adquiriu livros infantis, revistas, canetinhas e lápis de cor. “Elas adoram pintura. Como cortei o computador, resolvi incentivar essas atividades.”

Fora isso, Daniele diz ainda que, todas as tardes, convida as amiguinhas de escola das meninas para brincar em sua casa. “Desse modo, elas se divertem, não dormem à tarde e, à noite, vão para a cama mais cedo”, completa.

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Jornal do Commercio
Recife - 01.07.2001
Domingo