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TRÁFICO DE ARMAS
Justiça federal processa Menem

Magistrado diz ter várias provas de que ex-presidente chefiou associação responsável pela venda de 6.500 t de armamentos a Croácia e Equador

BUENOS AIRES – O juiz federal argentino Jorge Urso abriu processo ontem contra o ex-presidente Carlos Menem, 71 anos, sustentando em um relatório de 600 páginas ter provas suficientes de que Menem é o chefe de uma associação ilícita que vendeu ilegalmente 6.500 toneladas de armas para Croácia e Equador entre 1991 e 1995 para obter lucro.

Ele também o acusou formalmente de ter operado nas sombras e falsificado os decretos que ele e outros altos funcionários assinaram para autorizar o embarque das armas. Se condenado, ele poderá pegar de três a dez anos de prisão. O advogado de Menem, Oscar Roger, disse que apelará da decisão.

Além de abrir o processo, Urso restringiu o número de visitas que Menem poderá receber na prisão domiciliar em que se encontra desde o dia 7, numa mansão de um amigo na localidade de Don Torquato, 20 quilômetros ao norte de Buenos Aires, e determinou o congelamento de seus bens, avaliados em US$ 3 milhões. Ele ainda incluiu no processo, como cúmplices, o ex-chanceler Guido di Tella e o ex-subchefe do Exército, general Raúl Sabaini.

Na época, havia um embargo da Organização das Nações Unidas (ONU) para a venda de armamentos à Croácia por causa da guerra nos Bálcãs e a política oficial da Argentina vetava o suprimento de artigos bélicos para os equatorianos, já que o país era um dos patrocinadores do acordo de paz entre Peru e Equador. Menem alega inocência porque o destino das armas eram Panamá e Venezuela. O ex-presidente diz que as vendas eram absolutamente legais.

Ele governou o país, por dois mandatos, de 1989 a 1999. A decisão do juiz praticamente inviabiliza a candidatura de Menem às eleições presidenciais de 2003, como ele vinha anunciando.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.07.2001
Quinta-feira