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REPRESSÃO NA CHINA
Integrantes de seita se suicidam

Governo se contradiz quanto ao número de mortos. Há registros de que 14 adeptos da seita prescrita Falun Gong teriam se enforcado em campo de trabalhos forçados

PEQUIM – Autoridades chinesas disseram ontem que seguidores da proscrita seita Falun Gong se enforcaram num suicídio em massa num campo de trabalhos forçados no nordeste da China, mas deram relatos conflitantes sobre o número de mortos e o momento das mortes.

Um oficial do Judiciário na província de Heilongjiang, Lan Jingli, informou que 14 seguidores da seita se enforcaram com lençóis no campo de trabalhos forçados da província de Wanjia, antes do amanhecer de 20 de junho.

“Outros 11 seguidores também tentaram participar do suicídio em massa mas foram salvos pelos guardas do campo”, acrescentou.

Entretanto, um porta-voz do Escritório do Conselho Estatal de Informação, respondendo por telefone a perguntas de jornalistas, afirmou que Lan estava equivocado e que apenas três pessoas morreram no incidente. “Outras oito que tentaram se suicidar foram salvas”, afirmou ele. “Todas as 11 eram mulheres, que usaram lençóis para tentar se matar e foram hospitalizadas após terem sido encontradas por volta das 2h do dia 21 de junho”, garantiu.

“As outras oito estavam agora fora de perigo”, disse o porta-voz, que pediu para não ser identificado. Ele não quis comentar sobre as informações conflitantes, dizendo apenas que Lan pode não ter ouvido toda a história. “Esta é a resposta oficial”, afirmou o porta-voz.

A Falun Gong negou que o grupo tenha cometido suicídio, e denunciou que pelo menos 15 de seus seguidores foram espancados até a morte em Wanjia por volta do dia 20 de junho.

Cerca de 30 membros da seita promoveram um protesto na frente do escritório de representação chinesa em Hong Kong, território governado pela China onde a Falun Gong ainda é legal.

Eles pediram às Nações Unidas para investigarem as mortes. Um grupo de direitos humanos que divulgou pela primeira vez as mortes afirmou que 16 seguidores da seita haviam se enforcado num protesto. O Centro de Informação, em Hong Kong, afirmou na terça-feira que eles se suicidaram depois que suas sentenças foram estendidas de três para seis meses por terem feito uma greve de fome em protesto contra abusos e espancamentos. Sharon Xu, uma porta-voz do Falun Gong em Hong Kong, levantou dúvidas sobre a versão oficial. O número de mortes chamou a atenção do Governo chinês.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.07.2001
Quinta-feira