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Fernando Menezes Faltou serenidade (2)
Passadas as horas de maior emoção é possível que os alvirrubros tenham colocado a cabeça no lugar. Escrevi, logo após o jogo de segunda-feira passada, que o destempero de atletas experientes prejudicou o Náutico. Volto a insistir: o jogo estava equilibrado, e, vejam bem, faltavam ainda 32 minutos para o final da partida! Ora essa, muita coisa poderia acontecer, e mais ainda, o Náutico mesmo perdendo, como acabou acontecendo, dependeria, como depende, apenas dele mesmo, uma simples vitória e o título ficará nos Aflitos. Portanto, não havia razão para tanta afobação. Eu insisto: mesmo derrotados a vantagem continua sendo alvirrubra, que joga em casa e só depende dele! O destempero de três dos seus atletas é que deixou a decisão sob clima demasiado tenso.
Vamos voltar ao clássico. No primeiro tempo o árbitro deixou de marcar uma falta perigosíssima contra o Náutico, muitos até gritaram pênalti, só que pela televisão ficou claro que a falta ocorreu meio metro antes da risca da área, do lado direito, não foi pênalti. Mas o pessoal do Sport não perdeu a cabeça. Uma vitória para o Sport significava muito, significava uma despedida honrosa, mesmo assim, manteve-se a calma. Para mim, volto a dizer, a questão crucial do jogo de segunda-feira está no prejuízo futuro, pouco a ver com a partida daquela noite, mas tudo a ver com a partida decisiva, a desta noite, que os alvirrubros estão obrigados a enfrentar desfalcados.
E continuo falando de destempero. O clássico do Sport diante do Santa Cruz, quando os rubro-negros foram derrotados, e com a derrota foram eliminados de um sonho longamente acalentado, não foi assim tão cristalina. O árbitro deixou de marcar um pênalti, lance hoje já reconhecido por todos os observadores isentos, como uma falta clara sobre o zagueiro Erlon. E ainda reclamam os rubro-negros de um outro lance, esse, francamente, ao meu ver, normal. Mas, de qualquer forma, o jogo decidia a última chance do Sport. Mesmo assim ninguém perdeu a cabeça. Domingo passado, com a imagem do futebol brasileiro na rampa de descida, lutando pela classificação para a próxima copa, aliás torneio a que o Brasil sempre esteve presente, os nervos dos nossos jogadores permaneceram no lugar, depois de um lance claríssimo, aquele do goleiro uruguaio que pegou a bola dentro do seu gol! Ninguém foi expulso, as reclamações se fizeram em termos, sem excessos. Enfim, o Náutico pode sair campeão hoje, com mais dificuldades por causa do desfalques. Mas, para isso, primeiro depende de serenidade!
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