Oposição estadual decide priorizar a elaboração de programa comum de governo, deixando a discussão sobre candidaturas em segundo plano
A consolidação de uma chapa única de oposição para disputar o Governo do Estado, em 2002, provavelmente contra o atual governador Jarbas Vasconcelos (PMDB), está mais próxima de virar realidade. O PT aceitou, ontem, durante almoço com os presidentes de partidos que participam da gestão da Prefeitura do Recife – PSB, PPS, PDT e PTB – integrar-se ao fórum de debates aberto por essas legendas, destinado a viabilizar a unidade no primeiro turno das eleições do próximo ano. Com a adesão, o diálogo entre o PT e o PPS, ameaçado desde a reunião do presidenciável Lula com o senador Carlos Wilson, foi desobstruído. Os pós-comunistas irritaram-se com o assédio ao senador, que recebeu acenos para deixar o PPS e se filiar ao PT.
O almoço reuniu os presidentes Jorge Gomes (PSB), José Queiroz (PDT), Eduardo Carvalho (PPS) e André Campos (PTB), além do presidente da Câmara de Vereadores do Recife e interlocutor do PT para discutir a unidade, Dilson Peixoto, e os deputados estaduais petistas Paulo Rubem e Sérgio Leite. Apesar de se comprometerem a discutir a construção de um projeto de governo, os partidos preferiram não definir, de imediato, se haverá o palanque único, como aconteceu no segundo turno das eleições no Recife, no ano passado. Isso, segundo José Queiroz, só será definido após o término da composição do grupo. “Saímos otimistas porque a nossa proposta é a da construção de uma frente única de oposição, o que não significa dizer que já estamos fechando a aliança. O bloco está se formando, e só no final é que vamos tratar de nomes e alianças”, explicou.
A decisão de partirem para a construção de um programa e um discurso únicos, no entanto, não descarta, contraditoriamente, a possibilidade de mais de uma chapa. “Não é um contra-senso. O fato de estarmos compondo um grupo não significa que estamos assumindo o compromisso de montar uma chapa única. Estamos afinando o discurso, porque a briga não deve ser entre nós. O inimigo está no Palácio do Campo das Princesas”, avaliou Dilson Peixoto.
DIFERENÇAS – O entendimento inicial, porém, não é levado a sério por alguns integrantes dos partidos envolvidos. “Não acredito que essa união se concretize. É só um jogo político para marcar espaço. Qual será o critério para exigir que esse ou aquele partido renuncie a uma indicação para a chapa?”, questionou um parlamentar do PT, preferindo não revelar a identidade.
O presidente do PPS, Eduardo Carvalho, ressaltou, porém, que os partidos não deverão permitir que as diferenças atrapalhem a unidade. “Concordo com José Queiroz, quando diz que se pensássemos da mesma forma não estaríamos em partidos diferentes. Diferenças não significam incompatibilidade.”