No próximo encontro com os presidentes dos dois partidos, Fernando Henrique tratará da reforma ministerial e da montagem do palanque para 2002
BRASÍLIA – A reforma ministerial que deverá ser realizada no fim do ano e o levantamento das questões para montar o palanque do candidato governista ao Palácio do Planalto em cada Estado serão os temas principais da segunda conversa conjunta dos presidentes nacionais do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, deputado José Aníbal (SP), com o presidente Fernando Henrique Cardoso. O novo encontro, na última semana de julho, ficou agendado ao fim da reunião realizada anteontem à noite, no Palácio da Alvorada.
Na avaliação dos caciques do PFL e PSDB, a primeira conversa foi muito mais um recado para a ala governista do PMDB. A idéia é cobrar dos aliados uma posição contra a candidatura oposicionista do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), e providências contra o discurso antigoverno do presidente nacional do partido, senador Maguito Vilela (GO), ao mesmo tempo em que o PMDB goiano mantém cargos no Executivo Federal.
A expectativa de tucanos e pefelistas é de que o veto a Itamar e o debate em torno das eleições primárias para escolher o candidato da aliança ao Planalto sirvam não só de alerta aos governistas do PMDB como de mecanismo de pressão interna. “Os apadrinhados do PMDB vão sentir-se ameaçados de perder seus postos e vão cobrar dos padrinhos que tomem providências para que seus empregos sejam mantidos”, avalia um interlocutor presidencial, que participa do debate.
Embora setores do Governo apostem no racha do PMDB, caciques do PFL e do PSDB reconhecem a importância da legenda para manter a governabilidade. “Pessoalmente, acho que não interessa perder o PMDB, e sim tê-lo como aliado, alinhado conosco”, diz o senador Geraldo Melo (PSDB-RN).