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Melissa Andrade Desesperança e alento
Tem coisa mais cômoda do que fazer previsão? O sujeito analisa as condições, coloca uma cara de entendido e solta o número. Quem vai contestá-lo? Não existem dados concretos para refutar o que se disse, o objeto do comentário ainda não virou fato.
A sensação diante de muitas das perspectivas relacionadas à Internet nos últimos anos é que são feitas assim. Alguém ou alguma empresa solta uma previsão, que logo será amplamente divulgada, e a gente fica sem saber como é que aquele número apareceu.
Agora mesmo andam dizendo que conteúdo gratuito na Web é inviável. Que é um modelo de negócios com cada vez menos adeptos nos próximos anos. Pobre dos internautas, que sempre acreditaram que a nova mídia poderia finalmente ser democrática. É verdade que somente o espaço publicitário não é suficiente para garantir a existência de um portal de acesso gratuito. Mas excluir a possibilidade de gratuidade da Rede é demais.
Outro estudo, este brasileiro, diz que 93% dos usuários não acreditam em privacidade online. E tem aquela previsão de que 70% dos projetos tupiniquins de governo eletrônico vão dar errado.
Para os que ficam melancólicos com tanta notícia ruim, uma esperança: segundo o consultor Jack London, 70% das pesquisas sobre Internet feitas nos últimos anos são infundadas. Não deram em nada. Não refletiram a realidade. Simples previsões no ar. Em época de tiroteio de números, o internauta pelo menos tem o alento de acreditar no que quiser.
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