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ESPANHA II
Pica-pau fala catalão

É estranho e até surreal o mundo dos aficcionados pelos parques temáticos. Além de morrer de medo (o principal ingrediente para o sucesso desses parques), eles simplesmente veneram coisas como cair das alturas dentro da água fria, enfrentar longas filas para depois despencar de alturas superiores a 60 metros, ficar várias vezes de ponta-cabeça num carrinho a 100 quilômetros por hora. Mais: terminadas cada uma dessas provas, eles, rosto vermelho e sorriso estampado na cara, correm novamente para outra fila para se deliciar em um brinquedo punk qualquer. Quem vê de fora pensa em se tratar de algo delicioso. E realmente é.

Um ótimo local para cair nessa farra cheia de monstros fakes e regiões mais ainda é o Universal Studios Port Aventura (no balneário de Salou), atualmente o maior parque da Espanha. Nele, se encontram maravilhas como a montanha russa com mais loopings de toda a Europa, a Dragon Khan; e o Sea Odyssey, espécie de cinema 3-D que provoca uma ótima sensação de ‘medo seguro’.

Um dos diferenciais do Port Aventura, que fica a pouco mais de uma hora de Barcelona, é o seu clima agradável, fato imperioso, se lembrarmos que o parque está construído sob o inclemente sol do Mediterrâneo (as temperaturas ultrapassam os 38 graus no alto verão). Bastante arborizado, o parque foi inaugurado em 1995 e atrai o próprio público espanhol, na maioria aqueles que vêm de outras cidades, como Madri, Sevilha e algumas comunidades autônomas. Mas, por toda parte, vê-se o que os espanhóis chamam, jocosamente, de gambas (camarões): turistas vermelho-pimentão vindos de lugares como Inglaterra, França e Alemanha. Grande parte desses visitantes estrangeiros são atraídos para o local principalmente pela fama de paraíso do balneário Salou, situado na Costa Dourada. A carona deu certo: de 1995 para cá, o primeiro parque temático espanhol recebeu 12 milhões de pessoas (destas, 3 milhões estiveram no local em 2000).

A área total do Universal Studio Port Aventura é de 800 hectares, embora atualmente apenas 170 desses estejam sendo utilizados. O espaço, porém, é suficiente para que cinco regiões bastante díspares (que representam diversos locais em todo o mundo, outra idéia típica dos parques temáticos) coabitem em perfeita harmonia: México, Polinésia, Mediterrânea, China e Far West.

DÓLARES NO BICO – As atrações locais se dividem, como na maioria dos parques, em brinquedos e espetáculos que ocorrem ao longo do dia. No Port Aventura, um dos shows mais famosos é o novo Aves del Paraiso, comandado pelo simpático adestrador Paco Navarro. Os pássaros de Navarro impressionam pela destreza e sintonia com o apresentador. Logo no início, Freddie, uma ave sul-americana, dá beijinhos em Paco cada vez que ele lhe dá algo para comer e termina seu show dançando Everybody Dance Now, do C+C Music Factory. Depois de Freddie, vários outros pássaros entram em cena, dos africanos até aqueles vindos da nossa Amazônia. Um deles, inclusive, tem a capacidade de ‘roubar’ alguns dólares do turista que se propõe a participar do espetáculo, enquanto outro mostra a sua versatilidade no castellano e no inglês.

Assim como o Aves del Paraíso, o Aloha Tahiti também se passa na área Polinésia. Aqui, dançarinos de corpos tatuados, todos polinésios, mostram com quantos requebros se faz um nativo. As meninas provocam em alguns turistas uma cara não lá muito inteligente (a boca, por exemplo, fica entreaberta), enquanto os rapazes de peitoral definido também fazem seus estragos entre as donas-de-casa que levam seus filhos ao parque. É fake, feito para turista? É. Mas é divertidíssimo, pode apostar. (F.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 05.07.2001
Quinta-feira