Nem só de raridades vive a paixão humana pelas máquinas antigas. O pai dos carros populares, o ordinário Fusca, é muito representativo na vida dos brasileiros. Tanto que ganhou um dos apelidos mais carinhosos que um carro poderia conquistar: Fusquinha. O vocalista da banda de hardcore Devotos, conhece bem o que é isso. Tanto que comprou o Fusca mais antigo encontrado nos classificados.
“Sempre tive o sonho de ter um veículo antigo que não fosse caro. Paguei R$ 1,7 mil no meu Fusca 1966”, relembra. Hoje o velho carro ‘atende’ pelo nome de Herbert. Uma dupla homenagem do músico ao amigo, e também artista, Herbert Viana dos Paralamas, e ao Herbie, o mais famoso carro do cinema. “Herbert já faz parte da família”, declara.
Claro que Canibal investiu um pouco mais no carro. Trocou amortecedor, a soleira e fez alguns outros reparos. “Está faltando apenas a roda original com a faixa branca.” O músico só troca o Herbert por outro que seja mais antigo que ele.
Outro caso de paixão sem ‘pedigree’ é do funcionário público José Lopes. Lopes é jipeiro nas horas vagas e no final do ano passado estava procurando um veículo para trilhas que fosse mais robusto que o seu pequeno Suzuki Samurai. Encontrou, no interior de Pernambuco – mais precisamente em Orobó –, a sua Rural Willys 4x4 1965. “Depois que eu ajeitei o carrinho, ele ficou tão bonito que eu não tive coragem de colocá-lo nas trilhas.” Por enquanto, quem continua fazendo o ‘trabalho sujo’ é o pequeno Samurai.
Lopes comprou o jipe, em dezembro, por R$ 4,5 mil. Gastou mais R$ 5,5 mil para melhorá-lo. Já ofereceram R$ 15 mil na Rural e ele não pestanejou em responder: “não quero vendê-lo.”
IMPOSTOS – Uma das grandes vantagens em possuir um carro antigo se percebe na hora de pagar as taxas de licenciamento e o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). A idade dos carros barateia o custo com impostos. Isso acontece tanto no caso dos antigos populares, quanto no caso de um clássico. Não passa dos R$ 100. Uma outra vantagem para os colecionadores é a placa preta, concedida pelo Departamento de Trânsito (Detran) aos proprietários sócios do Clube do Automóvel Antigo. Com ela, o dono do carro está isento de colocar acessórios, hoje obrigatórios pela lei, que não são originais dos veículos. O encosto da cabeça e o retrovisor do lado direito são exemplos claros que podem estragar um velho carro.