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Os dias penosos de Sade Em Contos Proibidos do Marquês de Sade (Quills, 20th Century Fox Home, VHS/DVD), Philip Kaufman (A Insustentável Leveza do Ser, Henry & June) volta ao estilo que fez dele um cineasta consagrado em Hollywood: o de romances vividos em locações e cenários suntuosos. Essa bonita reconstituição de época, escrita por Doug Wright (que se baseou em sua própria peça), transporta-nos à França pós-revolução. O famoso Marquês de Sade, personagem histórico conhecido por sua literatura de forte teor erótico, é o protagonista. Aqui, Sade (Geoffrey Rush) ressurge moribundo, preso em um sanatório; seus livros polêmicos são disputados no mercado negro. O enredo gira justamente no modo como seus escritos chegam às mãos do editores: pela ousadia de uma lavadeira do hospício (Kate Winslet) e facilitada pela tolerância do abade administrador do local (Joaquin Phoenix). Mas, logo, o imperador Napoleão envia um médico linha dura (Michael Caine) para acabar com a farra do ex-nobre escritor. Sobressai-se no filme a reconstituição de época. Não apenas no visual, mas na caracterização dos costumes e da hipocrisia dos personagens, que superam o suposto atrativo principal (a perversão). O próximo desafio de Kaufman é a biografia do pianista Liberace. Kim Basinger em suspense maniqueísta Filha da Luz (Bless the Child, Hollywood Pictures Home, VHS) chega atrasado na nova onda hollywoodiana de filmes com temas sobrenaturais. Essa produção do estúdio adulto da Disney apenas reprocessa clichês já bem explorados em títulos anteriores. Aqui, quem carrega a cruz é a atriz Kim Basinger que, desde seu filme anterior, África dos Meus Sonhos, vive uma fase mãezona, em contraponto aos papéis de loura fatal aos quais nos acostumamos. Desta vez ela é Maggie, uma enfermeira psiquiatra que se vê obrigada a criar a sobrinha, depois que a irmã dependente de drogas abandonou a criança, com poucos dias de vida, em sua casa. Sozinha, Maggie vê-se diante de mais um desafio: a sobrinha logo se revela autista. Com se não bastasse, aos seis anos de idade aflora na menina uma capacidade paranormal que faz dela o pivô de uma intriga envolvendo uma seita satânica. O filme não vai além de um típico suspense sobrenatural. Começa obscuro, mas diminui o interesse à medida em que perde a verossimilhança. Somado a isso, tem uma abordagem muito maniqueísta. Ideal para quem ainda se emociona com Ghost. |
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