O ministro entende que apesar das divergências, o fato da realização do evento significa um avanço na luta para estabalecer direitos das minorias do mundo
BRASÍLIA – O ministro da Justiça, José Gregori, avaliou, ontem, como positivo o resultado da Conferência Internacional contra o Racismo, em Durban, na África do Sul, apesar do clima conturbado e da falta de acordo para compromissos mais firmes na luta contra a exclusão. “Não foi uma conferência perdida, ela foi positiva pelo fato de ter havido”, avaliou o ministro.
Gregori acredita que a conferência desencadeou ações positivas em muitos países, a exemplo do Comitê que será criado pelo Governo brasileiro para propor ações afirmativas de combate à desigualdade racial. Para o ministro, a Conferência foi contaminada pela conjuntura política internacional, principalmente, em razão da disputa entre Israel e Palestina, o que acabou desviando sua finalidade. “Isso acabou servindo para demonstrar que os EUA precisam redobrar a vigilância em relação a esses temas e, os fundamentalistas precisam rever suas atitudes e deixar as questões políticas para conferências específicas e apropriadas”, concluiu Gregori.
O ministro da Educação, Paulo Renato, considerou o relatório brasileiro da Conferência muito bom, por contemplar os avanços que houve no País, nos últimos anos, na questão racial e a definição de ações afirmativas importantes. “Na área da educação, por exemplo, nós temos o pré-vestibular para negros que queremos criar, temos a incorporação que já houve de negros na educação básica e queremos que haja a igualdade social no acesso à educação, o que, no nosso País, significa também igualdade racial”, disse.
O ministro finalizou, dizendo que “a dificuldade de se chegar a um consenso deve-se ao fato de que todas as conferências das Nações Unidas reúnem interesses de diferentes países. Houve uma avanço de, pelo menos, trazer o tema à discussão.”