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RACISMO II
Oriente e colonialismo emperram final

DURBAN – Os debates entraram noite a dentro na Conferencia Mundial contra o Racismo, em Durban, porque um impasse para aprovação de dois pontos básicos – as questões do Oriente Médio e do colonialismo – não permitiu que a reunião fosse encerrada no fim da tarde, como previa o programa. Quando a maioria dos delegados deveria estar arrumando as malas para ir embora, os negociadores ainda discutiam esses itens, em busca de um acordo.

“Acredito que será possível chegar-se a um entendimento em torno de textos alternativos”, disse o embaixador Gilberto Sabóia, chefe da Delegação do Brasil, baseando-se em informações que lhe chegavam das salas de negociações. A Conferência Islâmica sugeriu notas de rodapé para esclarecimento de alguns pontos referentes aos palestinos, com esperança de que os árabes viessem a aceitar uma proposta moderada apresentada pela presidente da conferência, a ministra sul-africana Dlami Zuma”, comentou o diplomata brasileiro..

Foi a discussão sobre o Oriente Médio que provocou a retirada dos Estados Unidos e de Israel da reunião de Durban. Suas delegações consideraram inaceitável a ênfase dada à questão dos palestinos. Além de compararem a situação a um novo Holocausto, no qual os judeus, que foram vítimas do nazismo, estariam agora exterminando os palestinos, as propostas apresentadas pelos árabes e seus aliados muçulmanos sugeriam que o sionismo deve ser considerado racismo.

Até ontem de manhã, temia-se que os europeus também abandonassem Durban, não mais em solidariedade aos Estados Unidos e a Israel, como se achava de início, mas por não aceitarem as exigências dos africanos no caso do colonialismo, da escravidão e do tráfico de escravos.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.09.2001
Sábado

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