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LIVROS II
Boa aula de MPB para os gringos
Com o crescente interesse pela música brasileira no exterior, e não apenas em um determinado gênero musical, como o samba e a bossa nova, a literatura sobre MPB lá fora cresceu não apenas em quantidade como em qualidade. Um exemplo disso é o livro The Brasilian Sound Samba Bossa Nova And The Popular Music of Brazil, por Chris McGowan e Ricardo Pessanha (Temple University Press, 248 páginas).
No conceituado dicionário World Music (de 1994), editado pela Rough Trade, o capítulo dedicado ao Brasil tem erros crassos e lacunas lamentáveis. O samba tem lugar de destaque, e os demais gêneros brasileiros aparecem como meros coadjuvantes no rico caldeirão sonoro do país. Vinicius de Moraes é quem teria gostado. Ele que tanto elogiava a Bahia, acabando inclusive por morar em Salvador, segundo os autores desse World Music é tão baiano quanto Caymmi, Caetano e Toninho Malvadeza.
Em The Brasilian Sound não há erros primários. É certo que o livro não se aprofunda no assunto, até porque foi concebido para o público norte-americano, mas não deixa de lado nenhuma faceta da MPB. Os autores historiam desde os lundus até o mangue beat (pois é, o mangue beat, ainda depreciado em sua própria terra está estabelecido como movimento musical brasileiro na América, França, Europa e Bahia). Não há uma só derrapagem histórica no capítulo (pequeno) dedicado a Chico Science & Nação Zumbi. Como também não há quando se comenta sobre Djavan, Marisa Monte e os festivais dos anos 60. Muito menos os há nos capítulos dedicados a instrumentistas brasileiros que se tornaram cidadãos do mundo Eumir Deodato, Airto Moreira e os pernambucanos Moacir Santos e Naná Vasconcelos, entre outros.
The Brasilian Sound não é história da MPB para inglês ver, mas para aprender, definitivamente, que o samba não é rumba.
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Jornal do Commercio
Recife - 08.09.2001 Sábado
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