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MEMÓRIA III
Caruaruense afável entre tantos ilustres

Na definição de Millôr Fernandes, o caruaruense João Condé, seu amigo e colega no jornalismo, “era um sujeito extremamente afável, sempre alegre, de bom humor, conservou um caráter, falava com um sotaque bastante pesado.” Ao meu juízo, Condé continua vivo, talentoso e dono de metade do patrimônio dos valores da inteligência brasileira, já que acaba de sair dos Arquivos Implacáveis para ser a Condé Galeria de Arte, no Shopping Cassino Atlântico - Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro.

Condé era um grande talento que construiu, na sua terra, com sonhos de criança deslumbrada, um Museu Popular, logo depois destruído por um prefeito de Caruaru, na década de 1960, que só somava defeitos e quase nenhuma virtude. E grande talento que, ao lado de Augusto e Abelardo Rodrigues, mostrou ao Rio de Janeiro que existia, na cidade de Caruaru, a arte popular de Vitalino, de José Rodrigues, de Manuel Eudócio, de Marliete Rodrigues.

E nem só de Vitalino e do forró e dos bacamarteiros se engrandece a Capital do Agreste, cuja projeção nacional foi uma inestimável contribuição dos irmãos Elysio, João e José Condé. Deles e de Álvaro Lins. De Limeira Tejo, de Joel Pontes, de Claribalte Passos, que foi diretor do Museu Nacional. De Luiz de Castro Souza. De valores da música, e aqui cabe registrar o maestro Clóvis Pereira. Nas artes plásticas, Petrônio dos Santos. De Alfredo Pinto, primeiro ministro da Justiça saído de Caruaru. Depois, o segundo: Fernando Lyra.

Condé Galeria de Arte, no Rio de Janeiro, quer dizer: lá fora Caruaru, embora nem sempre dócil com seus filhos, continua ternurada, amada e projetada, com seus mistérios, seus devaneios e suas metáforas que fazem dela uma pequena nuvem azul, um tanto sensual e feliz, em cima de tantas cabeças atormentadas da imensa maioria dos angustiados de um País chamado Brasil, que já foi e hoje não é mais. E, em meio às contradições, vale a pena amar Caruaru.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.09.2001
Sábado