No protesto paralelo ao desfile cívico-militar, sem-terra, sem-teto, negros, pobres e desempregados tomaram conta das ruas para exigir melhores condições de vida
Pobres marginalizados, agricultores sem terra para plantar, negros discriminados, trabalhadores sem emprego, gente que não tem casa para morar. Diferentemente do desfile cívico militar que ocorreu na Avenida Conde da Boa Vista, o 7º Grito dos Excluídos, cujo lema este ano foi Por amor a essa Pátria Brasil reuniu, ontem de manhã, pessoas de classes sociais, religião, idades e cores distintas. Todos juntos para protestar contra as desigualdades sociais e exigir dos governamentais melhores condições de vida.
A manifestação começou por volta das 10h, em frente ao prédio da Celpe, na Avenida João de Barros. Minutos antes da caminhada sair, houve uma homenagem ao padre Humberto Plummen, falecido quarta-feira passada. O sacerdote, da ala progressista da Igreja Católica, destacou-se pela atuação na defesa dos oprimidos. Frei Aloísio Fragoso pediu aos participantes que fizessem 15 segundos de silêncio, “para lembrarmos de um importante homem, que nunca deixou de participar do Grito dos Excluídos e de lutar pelos menos favorecidos”, comentou Frei Aloísio.
Com bandeiras, faixas, cartazes, caras pintadas, carros de som e muita disposição para agüentar o sol forte, os manifestantes entoaram cantos populares, gritaram palavras de ordem e dançaram ao som de uma orquestra de frevo. Em frente ao Parque Treze de Maio, houve uma parada para abordar os assuntos relativos ao racismo, quando um grupo de teatro fez uma pequena apresentação. Cinqüenta policiais militares acompanharam o protesto, enquanto outros 40 se posicionaram no decorrer do percurso. Seis PMs em motocicletas do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPtran) ajudaram no ordenamento do tráfego.
Em meio a donas de casa, estudantes, funcionários públicos, religiosos e crianças, o prefeito João Paulo (PT) transmitiu ao povo a importância do Grito dos Excluídos. “Participei do desfile militar como representante da Prefeitura do Recife. Mas aquela solenidade representa apenas uma parte da nossa independência. A real independência está aqui, no meio dos excluídos, que precisam de educação, habitação, saúde e emprego. É uma demonstração de que o povo não perdeu o espírito de luta”, enfatizou João Paulo. A esposa dele e presidente da Legião Assistencial do Recife (LAR), Luzia Jeanne, também participou da manifestação.
Era meio-dia quando o grupo chegou ao Pátio do Carmo, parada final do protesto. Durante quase uma hora, lideranças de vários movimentos populares se pronunciaram. Por fim, trabalhadores rurais e sem-teto realizaram um ato em frente à Basílica de Nossa Senhora do Carmo, representando a necessidade de mudanças no Brasil.