A despedida ao padre colaborador de Dom Hélder na luta contra as injustiças sociais reuniu políticos, sindicalistas, religiosos e o povo que ele defendeu
Prestar uma última homenagem ao padre holandês Humberto Plummen foi missão obrigatória para participantes do Grito dos Excluídos, realizado ontem. Nas primeiras horas da manhã, antes da marcha, muitos visitaram o velório no Convento dos Redentoristas, na Madalena. Outros deixaram o compromisso para depois, assistindo à missa de corpo presente e ao sepultamento no início da tarde.
O religioso, um atuantes da ala progressista da Igreja Católica, morreu em sua casa, na noite de quarta-feira, aos 73 anos, por causa de um edema pulmonar. Padre Humberto participaria ontem, pela sétima vez, do Grito dos Excluídos. “Os ideais que ele sonhava e partilhava não devem ficar esquecidos”, diz carta assinada por participantes do ato, entregue durante a missa. “Ele nos ensinou que, apesar das dificuldades, devemos ser fiéis a Cristo e ao povo”, mencionou padre Antônio Gomes, coordenador da Juventude Salesiana no Nordeste.
A despedida ao padre colaborador de Dom Hélder Câmara na luta contra as injustiças sociais reuniu políticos, sindicalistas, religiosos e, principalmente, o povo que ele evangelizou e defendeu nos 48 anos em que viveu no Brasil. O prefeito do Recife, João Paulo (PT), compareceu ao velório e deixou uma coroa de flores. O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, que está em Roma, telefonou pela manhã se solidarizando com o provincial da Congregação Redentorista, padre José Luiz Sales. “É uma grande perda para a congregação a qual pertencia e para toda a Arquidiocese”, comentou o bispo auxiliar, Dom Fernando Saburido, que presidiu a concelebração em homenagem a padre Humberto antes do sepultamento no Cemitério de Santo Amaro.