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MÚSICA ERUDITA
Ópera de Gluck é espetáculo para entendido

por PAULO SÉRGIO SCARPA

Eco e Narciso, de Christoph Gluck (1714-1787), nunca foi uma ópera popular, nem quando foi levada ao palco pela primeira vez em 1779 em Paris. Afinal, o público esperava por outra obra-prima de Gluck, como Ifigênia em Táuride (1779) e encontrou uma ópera representando as idéias do compositor de mudar as convenções da ópera “séria” barroca italiana ao exibir temas mais humanos, paixões e intensidade dramática. Mas com o passar dos séculos, a obra de Gluck foi reavaliada, viu-se de fato sua influência até no grande Wolfgang Amadeus Mozart e não apenas seu Orfeu e Eurídice, sua obra mais popular, voltou a ser encenada.

A produção da Eco e Narciso que será exibida, hoje, a partir das 21h, no Canal 171 (Film&Arts), na Directv, revela que a ópera tem inegáveis encantos, mas é de um estilo pastoral já obsoleto naquela época, como comenta o crítico Lauro Machado Coelho no seu livro A Ópera na França. Baseado numa lenda grega, a ópera tem direção musical de René Jacobs para o Teatro de Ópera de Schwetzingen, com Deborah Massell, Sophie Boulin e Kurt Streit nos principais papéis. Duração: 99 minutos (com legenda em português).

FIM DE SEMANA - No domingo, às 21h, o Canal 171 apresenta um bom programa sob a batuta do maestro Zubin Mehta, que ganhou muito dinheiro ao inventar há mais de dez anos o fenômeno dos Três Tenores (Pavarotti, Carretas e Domingo). Será um recital apenas com obras do compositor austríaco Johann Strauss (1825-1899), o “pai da valsa”. Com a Orquestra Filarmônica de Viena (ouça bem que cordas!), uma seleção de polcas, valsas e trechos das mais famosas operetas do compositor. Com a participação de José Carreras e Andrea Rost.


Jornal do Commercio
Recife - 08.09.2001
Sábado