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O DJ É VOCÊ

por ROSÁRIO DE POMPÉIA

Pega uma ficha aí bota lá na radiola. Cadê Roger, Cadê Roger... Na música Macô, Chico Science expressava um dos seus divertimentos: escutar radiola de ficha na Soparia de Roger. Essa preferência não é apenas uma característica dos mangueboys, as radiolas são idolatradas por todos: homens e mulheres, jovens e adultos, boêmios e roqueiros.

Mesmo com diferentes gostos, a resposta pela procura da radiola é unânime: ela é prática, barata (R$ 1 a ficha com direito a duas músicas) e todo mundo escuta o que quer.

Não é só a clientela que se beneficia. O proprietário do restaurante Pioneiro da Fava, Walfrido José Oliveira, fala por todos os donos de bares. “É uma maneira de trazer os bons cantores por um cachê barato”, brinca.

Apesar de democrática, alguns clientes acabam estabelecendo o estilo a ser tocado em determinados locais. “Ela tem um censor que acusa os CDs mais e menos requisitados e com isso mudamos a seleção musical. Outra maneira é acrescentando os CDs pedidos pelos clientes”, explica Fernando Aguiar, proprietário da Sonidos Joguiar Ltda, loja que aluga radiolas no Recife.

No Recife Antigo, o Bar de São Francisco e o Novo Pina disputam os ‘radioleiros’. A antiga radiola da Soparia aportou no Novo Pina. Os artistas pernambucanos como Nação Zumbi e Mundo Livre s/a são os mais pedidos. “Encontramos na radiola raridades que não estão à venda nas lojas que quando toca chega a emocionar”, conta Raílton Guerra, mais conhecido como Peste, baterista do Matalanamão.

Ela é prática, mas nem por isso é a ‘única estrela’. Muitas vezes, os gerentes acabam ganhando uma nova função: consultores musicais. De acordo com o gerente Glauber Carlos, o que não falta são pessoas que chegam cantando e querendo que ele ache a ‘tal canção’.

No Bar São Francisco foi instalada uma ‘ditadura musical’. Lá é o reduto do rock. No som estrondoso, toca Pink Floyd, Sepultura, Iron Maiden, Nirvana e The Beatles. Não é permitido escutar as letras românticas do brega, pagode e axé-music. “Eles pedem para tirar todos os CDs desses estilos”, ressalta o gerente Augustinho Miranda. O Bar São Francisco está ganhando novos adeptos: a tribo que curte o Downtown. “É ideal para começar a noite, revivendo tempos antigos e sentir uma nostalgia”, comenta Adelita Luana, 20, e Manoel Delgado, 22. Tudo bem, portanto que escutem o mesmo som dos donos do pedaço.

OUTROS RITMOS - Quando se pensa em uma radiola de ficha, geralmente, a imagem traz um boêmio com sua dor-de-cotovelo ou declamando versos. Essa cena não morreu no cenário recifense. Para comprovar basta passar algumas horas no Adega Wiskeria, no Pólo Pina. Com uma variedade de 230 bebidas, o local é dos fãs de Nelson Gonçalves e Ângela Maria, que seguem a fórmula chope+amigos, todos os dias.

Um público mais diversificado, incluindo os que sentem saudades dos Beatles e os que choram ao escutar Zezé di Camargo e Luciano, se encontra no Bar Saideira. O grande atrativo do local não se pode dizer que é a radiola, mas o self-service de caldinho com 28 tipos. “Aqui toca de tudo: José Augusto, Amado Batista , Raça Negra , KLB e Banda Styllus”, disse o gerente José Laurentino.

Já que o assunto é estilo, sem dúvida o brega é o mais tocado nas radiolas recifenses. “Venho na Pituskeria todo os dias para escutar um bom som romântico, inclusive Labaredas”, comenta Jeovelino Anacleto, 40, comerciante.

O Bar Aritana, na Praça do Carmo de Olinda, é o point dos turistas. Para se ter idéia da moda, a pergunta do público é geralmente a mesma: tem Banda Calypso?

A maior concentração do Recife em radiolas é a Rua Comendador Moraes, em Brasília Teimosa. Cinco bares garantem a diversão qualquer hora do dia.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS– As radiolas geralmente são alugadas. Sendo assim , o seu preço é tabelado em R$ 1 com direito a duas músicas, com capacidade para 100 CDs. A maioria é programada para não repetir a canção. O volume do som vai de acordo com a preferência de cada proprietário. Os interessados em alugar radiola pode entrar em contato com Fernando Aguiar pelo telefone: 9974.2956.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.09.2001
Sexta-feira