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ANOREXIA Anorexia Caracterizada pelo medo patológico de engordar, a doença, que atinge sobretudo adolescentes, pode levar à morte MARCIA CEZIMBRA A chefe de cozinha Joana Gallo formou-se em nutrição e especializou-se em gastronomia justamente para lidar melhor com uma doença grave que a acompanhou na infância e na adolescência: a anorexia. Hoje, aos 27 anos, com 1,55 metros e 46 quilos, Joana continua sem muito apetite e com certa fobia de engordar, mas a culinária e alguns anos de terapia a ajudaram a enfrentar o mal que lhe rendeu úlceras, gastrites e internações hospitalares. Até a obrigação profissional de provar o que cozinha é uma arma contra a mania de jejum. Eu gosto muito de fazer a comida, mas de comer nem tanto. Tive anorexia desde criança. Eu simplesmente não comia. Minha mãe teve que me internar várias vezes para que eu não morresse, conta. Casos como o de Joana estão se multiplicando de maneira alarmante entre adolescentes brasileiras de idade cada vez mais baixa, entre 13 e 15 anos, segundo o psiquiatra José Carlos Appolinário, especialista em transtornos alimentares do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Estadual de Diabetes e Nutrição. Ele cita uma pesquisa da Universidade de Pelotas (RS) deste ano, segundo a qual 13% das adolescentes de Porto Alegre, de todas as classes sociais, sofrem de anorexia ou de bulimia. Essa é caracterizada por episódios de compulsão alimentar seguidos de vômitos, excesso de exercícios ou uso de diuréticos e laxantes, como forma de compensar a ingestão de quatro mil a dez mil calorias por vez. A origem da doença pode ser genética ou psicológica. A mania de emagrecer, que leva à anorexia, é incentivada ainda pela indústria da moda, que exibe modelos esqueléticas. É magreza doentia porque só é alcançada com transtornos alimentares. Essas modelos são admiradas, mas 70% delas, segundo pesquisas americanas, sofrem de anorexia, diz. ADVERTÊNCIA Para Appolinário, a publicidade de moda deveria advertir, a exemplo dos anúncios de fumo, que a magreza exagerada leva à anorexia, uma doença grave que mata 5,9% de suas vítimas. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Amélio Godoy, confirma que o número de anoréxicas jovens está aumentando. Em seu consultório, ele atende a uma média de três meninas por mês. |
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