Diário não é coisa apenas de adolescente ou balzaquiana, como a Bridget do filme. O pessoal da terceira idade também tem gostado de fazer anotações sobre sua vida, incluindo passado e presente, em pequenos cadernos.
Com uma diferença: fazem questão de revelar seus escritos a amigos e parentes próximos, como uma forma de alcançar o bem-estar físico e mental. Trata-se da terapia de autobiografia orientada, que vem sendo usada nos Estados Unidos e já no Brasil, com sucesso.
O criador da técnica, o psicólogo James Birren, de 83 anos, diretor do Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade da Califórnia, diz que as pessoas que praticam a autobiografia orientada aprendem a dar mais valor à vida.
“Percebi que escrever sobre experiências vividas e compartilhá-las com outros eram os melhores meios de os idosos ou dos que estão envelhecendo darem novo significado à vida. É uma forma simples de compreender o passado mais inteiramente”, afirma o psicólogo. Birren acrescenta, porém, que a técnica é útil sobretudo para quem está enfrentando um período de transição, como divórcio, problemas de saúde, perda de um parente ou solidão (como, por exemplo, após a saída dos filhos de casa).