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TABAGISMO
Bupropiona, a nova arma anti-tabagista

Droga tem se mostrado segura até mesmo para pacientes com problemas como diabetes, hipertensão e distúrbios cardíacos. Estudo do Incor, que analisa as propriedades do remédio, termina em junho de 2002

A clássica diferença entre os sexos quando o assunto é largar o cigarro está sendo vencida por novos medicamentos anti-tabagistas disponíveis no mercado. Dados preliminares de pesquisa do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor-HC/FMUSP) utilizando o antidepressivo bupropiona (princípio ativo do Ziban), apontam praticamente a mesma taxa de sucesso para homens e mulheres - acima de 40% no prazo de seis meses a um ano. Iniciada em julho de 2000, a pesquisa do Incor está em andamento e será finalizada em junho de 2002, quando os 100 participantes, 40 homens e 60 mulheres, completarão dois anos de seguimento.

“Os resultados, a serem confirmados com a conclusão da pesquisa, apontam taxas de sucesso no tratamento do sexo feminino mais favoráveis do que com produtos a base de nicotina, podendo ser uma opção futura mais eficiente para mulheres tabagistas”, diz a médica Jaqueline Scholz Issa, coordenadora do Estudo e Diretora do Ambulatório de Tabagismo do Instituto. Além disso, ressalta a médica, a bupropiona tem se mostrado segura para pessoas com problemas cardíacos, que geralmente utilizam outros remédios para controle de hipertensão, insuficiência coronária e cardíaca, colesterol, diabetes, etc.

Esse é o caso da cabeleireira Gabriela Fernandez, 55 anos, que tem arritmia diagnosticada há quase um ano. Depois de várias tentativas de largar o cigarro, muitas delas revertidas por causa do aumento de peso, Gabriela está há oito meses sem fumar. "Fumava desde os 18 anos, mais de dois maços por dia e hoje não suporto nem o cheiro do cigarro. Já posso caminhar sem sentir falta de ar", diz a cabeleireira, que promete não mais retornar ao vício. "O melhor de tudo é que não precisei parar a minha vida para deixar o cigarro. Continuo trabalhando muito e com mais disposição."

Para Yassuko Sugino, que está há um ano sem fumar e utiliza o tratamento, o aumento de 12 quilos em seu peso não foi problema. "Parar de fumar era o maior sonho da minha vida". Yassuko, que fumou por mais de 35 anos, consumia diariamente de dois a três maços de cigarro. Tanta fumaça acarretou-lhe falta de ar, tosse constante e noites mal dormidas. Para ela, o tratamento é importante, principalmente por reduzir a ansiedade e provocar o desinteresse pelo vício, mas a determinação pessoal é fundamental. "Noventa por cento depende de você", defende a dona de casa, 58. De acordo com o estudo do Incor, a maior dificuldade para ambos os sexos está no primeiro mês sem o cigarro. Cerca de 44% dos participantes (46% dos homens e 40% das mulheres) são vencidos pelo vício nessa fase. Passado esse período e até os seis primeiros meses de tratamento, o quadro se mantém altamente positivo: 54% dos homens e 60% das mulheres que venceram os primeiros 30 dias mantém-se firmes no propósito de parar de fumar. Daí em diante, as taxas voltam a cair até o primeiro ano de tratamento, período no qual 41% dos homens e 48% das mulheres continuam afastados do vício.

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Jornal do Commercio
Recife - 02.09.2001
Domingo