Estima-se que entre 25% e 30% das mulheres brasileiras sejam fumantes. Além de correr riscos do tabaco comuns a ambos os sexos, a mulher tabagista está exposta a doenças próprias da sua condição feminina. A menopausa, importante indicador do processo de envelhecimento, é mais precoce nas fumantes devido ao aumento do metabolismo e à diminuição na síntese do estrógeno decorrente do tabagismo. O fator hormonal é responsável também pela maior incidência de osteoporose em fumantes. Da mesma forma, 90% das mulheres que infartam antes dos 50 anos está inserido no grupo das fumantes.
Pesquisa anterior do Incor utilizando adesivo de nicotina concluiu que as mulheres têm quase o dobro de dificuldade em parar de fumar comparativamente aos homens por esse método. Pesaram neste insucesso o ganho de peso progressivo com o final do vício e a idade. Quanto mais novas, menores foram as chances de deixar definitivamente o cigarro. A pesquisa avaliou 100 pacientes divididos em dois grupos – um de homens e outro de mulheres – submetidos entre 1993 e 1995 a tratamento anti-tabagista.
Ao final de um ano, 41% do grupo conseguiu parar com o vício, índice semelhante ao verificado internacionalmente. Quando a análise recaiu sobre o sexo, a performance variou entre homens e mulheres. No grupo masculino, 50% dos pacientes conseguiram cessar o vício do tabaco. No feminino, apenas 32% das mulheres alcançaram o mesmo resultado. O aumento de peso, em média de 3,5 quilos em um ano, foi um fator decisivo para o insucesso das mulheres, explica a médica Jaqueline.
Esteticamente o ganho de peso incomoda muito mais a mulher do que o homem e em grandes proporções, como na obesidade, é nocivo para ambos os sexos.
“Olhar-se no espelho e se enxergar um 'balão', como dizem as pacientes, é sério fator de recaída para o sexo feminino”, diz a doutora. O resultado mostra, segundo a cardiologista, que o tratamento da mulher fumante deve ter uma abordagem diferenciada, na qual o controle de peso possa ser melhor explorado.