Técnica acaba com sintomas como os movimentos involuntários e a rigidez nos membros, mas ainda não significa a cura total da doença
Da Agência Globo
O mal de Parkinson é uma doença progressiva que atinge ambos os sexos, principalmente a partir dos 55 e 60 anos, e leva à demência em 20% dos casos. Mas os sintomas característicos são os tremores, a rigidez e a dificuldade de realizar movimentos, que podem ser bilaterais. Estima-se que 150 pessoas em cada cem mil sofrem de Parkinson e quanto maior a faixa etária, maior a incidência.
Cientistas acreditam que a doença é de origem genética e desencadeada por fatores ambientais. Eles sabem que ela ocorre devido à baixa de dopamina, substância que interfere nos núcleos da base do cérebro e está envolvida no controle de movimentos.
CIRURGIA – A cirurgia para tratar a doença é conhecida desde a década de 50, mas caiu em desuso porque o risco era alto para o paciente. Além disso, o desenvolvimento de medicamentos orais, como a L-Dopa (dopamina sintética), tornou-se a alternativa mais segura. Porém os médicos observaram que ação da droga diminuía com o passar dos anos.
No ano passado, o New England Journal of Medicine, uma das mais respeitadas revistas médicas do mundo, publicou um artigo no qual especialistas afirmavam que “o renascimento e o aperfeiçoamento da cirurgia esterotáxica representa o mais importante avanço terapêutico dos últimos 30 anos, no tratamento dos distúrbios do movimento”. Segundo o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, diretor do Instituto de Neurocirurgia da Santa Casa do Rio, a maioria dos pacientes que se beneficia da técnica são os portadores de Parkinson.
“O mesmo método serve para tratar outros tremores e distonias (alteração da tonicidade muscular). A técnica consiste em produzir, através de um eletrodo ligado a um aparelho de radiofreqüência, uma lesão milimétrica em núcleos profundos do cérebro. Desta forma, conseguimos eliminar os estímulos dos neurônios que produzem os movimentos involuntários.
A cirurgia não interrompe a progressão da doença, mas durante muitos anos o portador de Parkinson vai viver sem os tremores e a rigidez. “Há casos de pacientes que não precisam mais de remédios. Eles voltam a ter uma vida normal, sem depender de amigos e parentes. Melhora a qualidade de vida. O procedimento é indicado em casos específicos, com diagnóstico exato de doença de Parkinson e quando o tratamento clínico já não faz efeito. A técnica não previne a demência”, explica Niemeyer.
COMPUTADOR – O tempo gasto no planejamento do ato cirúrgico é maior que a incisão do eletrodo milimétrico e a cauterização dos neurônios responsáveis pelos tremores e pela rigidez. É necessária uma equipe multidisciplinar, formada por neurologista, radiologista, neurocirurgião e físico.
A atuação do físico é fundamental. É ele que a partir da tomografia computadorizada faz a transferência das imagens para o computador e localiza a área exata que será tratada. Quem criou o programa que dá as coordenadas da cirurgia foi o físico cubano Armando Bouza.