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SERVIÇO Programa de detecção do risco de câncer
O que é o Programa de Detecção de Fatores de Risco para Câncer?
É uma ação pré-primária em combate ao câncer, uma vez que antecede a prevenção e o diagnóstico precoce. Sua viabilidade se dá através de sua simplicidade, o seu baixo custo e, acima de tudo, por divulgar os fatores de risco para câncer que atingem as pessoas, permitindo que cada um avalie o rumo de seu comportamento, identificando as causas possíveis de serem afastadas.
O Programa é composto de dois modelos de questionários (masculino e feminino) e um programa de computador elaborado pela equipe do Departamento de Controle e Prevenção do Hospital de Câncer de Pernambuco. O Programa visa monitorar os riscos associados à aquisição de nove tipos de câncer, todos preveníveis e freqüentes no nosso meio. O programa foi elaborado com base numa pesquisa sobre os fatores de risco identificados por diversos trabalhos médico-científicos.
O que é um fator de risco e qual a sua importância?
Do ponto de vista epidemiológico, o termo “risco” é utilizado mais especificamente para definir os determinados fatores encontrados no ambiente físico, a serem herdados ou representados através de hábitos ou costumes próprios de um determinado ambiente social ou cultural. Estes hábitos ou bagagem genética aumentam a probabilidade de adquirir uma certa moléstia. Isso pode acontecer mesmo que o indivíduo não apresente qualquer sinal ou sintoma da doença naquele momento. Como alguns desses fatores de risco são associados a hábitos pessoais, o programa tem a finalidade de indicar quais são esses fatores e promover a prática da boa saúde. Para os outros fatores de risco que são vinculados à herança genética e meio ambiente, alerta o indivíduo sobre o seu risco, sugerindo que procure fazer exames preventivos com mais freqüência.
Qual a finalidade desse programa?
O Programa objetiva, através do software, analisar os dados pessoais apresentados por um indivíduo, quando preencher o questionário referente aos seus fatores de risco e identificar qual o seu grau de risco para os diversos tipos de câncer estudados: câncer de mama, de colo uterino e do endométrio (corpo de útero), boca, lábio, pulmão, pele, próstata e pênis. Sabemos, hoje, com o Projeto Genoma ou estudo do cariótipo (herança genética individual), que é perfeitamente viável mostrar quais os tumores a que cada indivíduo está mais propenso a desenvolver. Isso permitiria uma distribuição de pessoas em grupos de risco para o desenvolvimento deste ou daquele tipo de câncer e possivelmente um diagnóstico precoce. Mas sabemos também que, principalmente em nosso meio, esse é um método preventivo inviável (engenharia genética) dado ao alto custo, à capacidade técnica insuficiente e a falta de equipamentos específicos e manutenção dos mesmos.
O Programa de Detecção de Fatores de Risco para Câncer, indica por outros meios, claramente menos sofisticados, mas bastante viáveis, quais são os graus de risco para um determinado câncer. O grupo de alto risco, por exemplo, deverá receber uma atenção prioritária, especialmente na realização de exames médicos preventivos, como o exame de Papanicolaou (prevenção do câncer de colo de útero), a mamografia e os exames para detecção precoce do câncer de mama.
Todos os tipos de câncer são preveníveis?
Nem todos os tipos de câncer podem ser prevenidos. No caso do câncer do colo do útero, há condições de evitar o aparecimento da doença, pois existem estágios pré-cancerosos que podem ser detectados pelo exame de Papanicolaou que, quando tratados, eliminam a possibilidade do desenvolvimento da doença.
No caso do câncer de mama não há um estágio indicando que o câncer poderá aparecer. Quando aparecem os primeiros sinais, a doença já foi instalada. O que existe, porém, é a possibilidade de cura, quando o diagnóstico é feito no estágio inicial. Por isso, o Programa de Detecção de Fatores de Risco para Câncer, poderia ser uma arma potente na luta contra a doença. O importante é fazer a prevenção ou obter um diagnóstico precoce. Infelizmente, a prevenção depende do nosso comportamento pessoal, o que não é levado a sério por muitas pessoas. A maioria delas sabe que certas substâncias fazem mal à saúde, mas insiste em continuar o seu uso até se tornar um vício.
Em termos de campanha contra o câncer, pode-se ver que o Hospital de Câncer de Pernambuco tem uma proposta diferente daquela utilizada pelo Ministério da Saúde, em 1998, na realização da sua campanha contra o câncer de colo de útero. Em vez de concentrar a campanha na massa de mulheres de uma certa idade, como fez o ministério, pode-se fazer uma separação prévia dos diversos grupos e realizar exames mais cuidadosos naqueles indicados como sendo de alto risco.
Sabemos que uma pesquisa realizada em Mato Grosso do Sul, pelo Dr. Alfredo Roberto Netto, publicada na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, indicou várias falhas no estudo realizado pelo ministério. O estudo encontrou a incidência de lesões de alto grau naquelas indicadas pela campanha como de baixo grau e vice-versa. Estes resultados foram encontrados porque o médico comparou o exame citológico (Papanicolaou) com o exame de colposcopia em todos os casos. Obviamente, isto não poderia ser um protocolo generalizado para todas as mulheres acima de uma certa idade, mas poderia sim, ser realizado com mulheres que apresentam fatores que identificam o seu grau de alto risco.
Como o Programa de Detecção de Fatores de Risco ajuda o médico na triagem do paciente?
Com a indicação do grau de risco do paciente para diferentes tipos de câncer, o médico pode direcionar o seu exame físico para as áreas indicadas e realizar um exame mais completo. A mulher, por exemplo, pode apresentar queixas referentes ao câncer de pele, mas também ser uma portadora de alto risco para câncer de mama ou do colo de útero. O médico, neste caso, fará uma avaliação das mamas e indicará uma mamografia se houver alguma suspeita e encaminhará a paciente para o exame de prevenção de câncer do colo de útero. Sendo assim, o Hospital de Câncer de Pernambuco está, cada vez mais, aprimorando seus procedimentos para garantir um bom atendimento, num esforço de ser mais eficaz, mas sempre orientado pela eficiência da utilização dos seus escassos recursos.
FONTE:
Dr. Jaime de Queiroz Lima - Médico; Chefe do Departamento
James Anthony Falk, Ph.D. - Assessor do Grupo de Pesquisa
Dr. Carlos Leite - Médico do DCP
Contato: (81) 3423.2088 r. 188 Isabel Melo/Jacqueline Tavares
APOIO: JORNAL DO COMMERCIO
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