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INCUBATEP
Exportando o modelo de incubação

Depois de passar por uma reestruturação, o modelo de incubação de empresas de base tecnológica desenvolvido em Pernambuco será apresentado fora do Estado. É que o trabalho Incubadora de Classe Mundial: A Proposta de um Modelo, de autoria do assessor de projetos e negócios da Incubatep, Luiz José Rodrigues de Oliveira, foi selecionado para participar da Conferência Mundial de Incubadoras de Empresas (WCBI), entre os dias 23 e 26 de outubro, no Rio de Janeiro.

Segundo Luiz José, a proposta que será mostrada no evento é composta de práticas gerenciais elaboradas a partir da análise das deficiências do modelo vigente até então e de uma pesquisa feita entre as incubadoras consideradas topo de linha no Brasil, localizadas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Baseados na experiência de 10 anos da Incubatep, fizemos uma autocrítica para identificar os problemas, a fim de resolvê-los, e aliamos a essa solução o que havia de melhor nos outros Estados, com as devidas adaptações para a nossa realidade”, explica.

As mudanças na forma de atuação das incubadoras começam pelo próprio processo de seleção. Se antes os empreendedores eram obrigados a submeter um plano de negócios para avaliação, agora basta que eles preencham e enviem uma proposta através da Internet, a qual será analisada primeiramente por dois consultores externos pertencentes a um cadastro nacional de especialistas em Ciência e Tecnologia. “Dessa forma, reduzimos os riscos de apostar num projeto inviável”, diz Luiz José.

Um dos principais benefícios para as incubadas diz respeito à incorporação de um setor de gestão de negócios, cuja missão inclui estudar o mercado das empresas e captar investidores de risco. “Como a maioria dos empreendedores das incubadas não têm formação na área comercial, esse suporte foi uma ótima idéia, porque está ajudando a estruturar a ligação entre as empresas e o mercado”, comemora Manoel Guerra, diretor da Solnort Energia Solar, uma das hóspedes da Incubatep.

Outra modificação fundamental se refere à participação societária que as incubadoras passam a ter nos empreendimentos hospedados. O percentual ainda não foi definido, mas, de acordo com Luiz José, destina-se a conferir auto-sustentabilidade ao modelo de incubação. “Com isso, poderemos ampliar o número de incubadas e investir em aperfeiçoamento do sistema.”

Além de mostrar o que já está sendo realizado em termos de incentivo ao desenvolvimento tecnológico do Estado, o artigo a ser apresentado por Luiz José na conferência mundial traz também um estudo sobre o futuro da incubação de empresas em Pernambuco nos próximos anos.

Tomando como referência o interesse do Governo Estadual e o apoio do Sebrae na área, bem como a inclusão de disciplinas de empreendedorismo nos currículos de várias universidades locais, o executivo prevê que em dois anos serão criadas cerca de cinco novas incubadoras, havendo ainda incremento de investimentos nas que já estão consolidadas.

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Jornal do Commercio
Recife - 05.09.2001
Quarta-feira