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Lance Livre
Fernando Menezes

É tempo de gauchada

Passadas as primeiras horas e livre da emoção do momento, já se pode apreciar melhor o jogo Brasil x Argentina. Para mim, o problema não está no jogo de Buenos Aires, mas na postura do time de Felipão. De fato, ele exercita de forma extremada a velha filosofia gaúcha, qual seja a de marcar duro, o tal futebol-força, e só tentar o ataque ocasionalmente, uma postura totalmente defensiva. No entanto, para tudo há que se estabelecer um limite. Felipão renunciou ao ataque para enfrentar a Argentina, e fez mais, anunciou antes do jogo (o jornal Clarin a isso se refere dizendo que Scolari, sem enrubescer, denegriu a imagem da escola brasileira) que ficaria satisfeito com o empate. Está na hora de dizer que ele convocou mal e substituiu pior ainda. Deixar fora Juninho Paulista para levar Tinga é um atestado que a seleção virou ‘panela’. Tinga só não jogou porque se machucou. Deixar Elber em campo, inteiramente sem serventia é incompreensível. Chamar Denilson para jogar 4 minutos é um desrespeito ao jogador e um atentado ao bom senso. Só tomamos aquele sufoco porque ficamos com nove homens atrás o jogo inteiro. Sabemos que o ataque evita o sufoco permanente, só Felipão preferiu ignorar isso e apelar apenas para a sorte.

Ao que parece estamos agora vivendo uma gauchada, um tempo de panelinha. Os argentinos ficaram frustrados, basta ler o Clarin e o Olé, para ver que no fundo eles lamentam ter ganho de um falso Brasil, sem brilho e sem ousadia, desmentindo sua tradição, aliás o Clarin diz isso com todas letras. Até hoje não sei o que faz Elber na seleção, além de correr de um lado para o outro. Se Felipão queria manter Marcelinho Paraíba, por que não sacou Elber e adiantou Marcelinho? O nosso meio-de-campo, com as peças de que dispomos não pode fugir disso: Emerson, Vampeta, Juninho Paulista e Juninho Pernambucano. Assim, teremos duas peças capazes de passar com qualidade. Manter Eduardo Costa é outra calamidade, é uma fábrica de cometer faltas. Finalmente, perder para a Argentina, no momento a melhor equipe do mundo, não é vergonha. O problema é perder de véspera, é renunciar ao que sempre fomos, uma escola habilidosa e ofensiva.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.09.2001
Sábado