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Vice de Itamar admite violência em convenção

O vice-governador de Minas, Newton Cardoso, afirmou ontem que, “dependendo das circunstâncias”, poderá mandar seu grupo “partir para a briga” na convenção nacional do PMDB, amanhã, em Brasília

BELO HORIZONTE – Fiel ao estilo que lhe valeu o apelido de “Trator”, o vice-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB), disse ontem que poderá, “dependendo das circunstâncias”, mandar a claque que ele levará para a convenção nacional do PMDB “partir para a briga” com a ala da legenda alinhada ao Governo Federal.

Responsável pela arregimentação em Minas da tropa de choque que apoiará amanhã, em Brasília, a candidatura do senador Maguito Vilela (GO) à presidência da legenda, Newton disse não se preocupar com uma possível repetição das cenas da convenção de 1998, quando grupos de tendências opostas trocaram sopapos.

“Por que não?”, respondeu à pergunta sobre se seus liderados poderiam partir para o confronto físico. “Não queremos ver sangue, mas, em benefício do País, quem sabe? Vamos lutar. Faz parte. Vamos aguerridos”, disse.

Maguito é o candidato e aliado do governador de Minas, Itamar Franco, que luta para que a legenda tenha candidatura própria à Presidência da República em 2002 – ele, preferencialmente – e se afaste do Governo Federal. Partirão de Minas um avião e 46 ônibus, a maioria na noite de hoje, levando os itamaristas.

“Vai ter uma disputa acirrada. Não vamos entregar de bandeja isso. Não pense o presidente da República que ele vai ganhar fácil. Porque essa guerra é do PMDB contra o Fernando Henrique Cardoso. Essa disputa é exógena (extrapola os limites internos), não endógena (interna).”

BARULHO – A tática do vice-governador deve ser a mesma usada na convenção mineira do PMDB, ocorrida em maio último, quando ele assumiu de vez o comando regional do partido. Sua claque ocupou quase todo o espaço do teatro onde se realizou o encontro e promoveu um barulho que praticamente não permitiu manifestações da ala contrária.

O clima beligerante dos newtistas levou o grupo governista, que defende a candidatura favorita do deputado federal Michel Temer (SP), a solicitar que a segurança do encontro seja feita pela Polícia Militar e a deixar de sobreaviso equipe de seguranças.

Apesar de afirmar que espera alguns apoios de última hora, Newton admitiu que seu grupo não deve conseguir a vitória amanhã e classificou uma votação pró-Maguito de 40% “como de bom tamanho”.

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Jornal do Commercio
Recife - 08.09.2001
Sábado