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FUGA
Presos usam buraco para escapar do Carandiru

A presença de familiares e a armação de barracas no pátio da casa de detenção dificultaram a visão dos sentinelas que estavam em serviço

SÃO PAULO - Presos do Pavilhão 8 do Carandiru fugiram na de ontem, por volta das 12h30, em pleno horário de visita, escapando por um túnel.O buraco foi encontrado no chão do pátio junto à muralha. O local é conhecido por diversas tentativas de fuga, já que fica próximo de uma caixa d'água desativada e de uma construção abandonada, fatores que dificultam a visão do sentinela.

Segundo policiais do 1º Batalhão do Policiamento de Guarda, que fazem a vigilância das muralhas da detenção, a descoberta da passagem ocorreu devido à desconfiança dos policiais em relação à circulação excessiva de presos no horário de visita.”No dia de visita, os detentos esticam no chão cobertores para os seus familiares sentarem. Eles também, apesar de proibido, estendem tendas para se protegerem do sol, o que prejudica a visão dos policiais da muralha”,disse o capitão Jorge Henrique M. Alves.

Ontem, os policiais suspeitaram domovimento embaixo de uma das tendas e acionaram o sentinela. De acordo com o capitão, para dispersar os detentos e os familiares, o sentinela disparou duas vezes para o alto. Foi aí que viram pelo menos três presos entrando por um túnel, cuja entrada estava sendo camuflada por um cobertor. Há suspeitas de que o túnel tenha sido cavado da tubulação para o Carandiru, ou seja, de fora para dentro.

Um policial da muralha disse que um Escort e uma Kombi branca foram vistos circulando por diversas vezes na avenida Ataliba Leonel. A polícia suspeita que os carros teriam auxiliado na fuga de outros detentos quepodem ter saído por um dos bueiros.Por esse motivo, a polícia destampou todos os bueiros da avenida e um na esquina com a rua Dr. Zuquim. Num deles, foram encontrados cerca de 150 metros de fios elétricos, cordas e uma calça bege (peça de uso obrigatória para os presos).

“Em três bueiros eles colocaram pás para dificultar a abertura das tampas”, disse o capitão Alves. Segundo ele, os fios serviriam de guia para os prováveis fugitivos. Até as 19h de ontem não havia confirmação do número de fugitivos.

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Jornal do Commercio
Recife - 09.07.2001
Segunda-feira

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