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Câncer: Informações e Dados
Dr. Jaime de Queiroz Lima e
James Anthony Falk,Ph. D.*


Câncer de Próstata Leva Mais um Grande Homem

RPeço licença aos caros leitores e ao Chefe de Departamento de Controle e Prevenção do Hospital de Câncer de Pernambuco para não falar sobre o câncer neste artigo, nem da sua prevenção, mas utilizar este espaço para fazer minha última homenagem ao Dr. Paulo Rodrigues Ferreira, nascido no dia 8 de dezembro de 1924, na Paraíba, e falecido no dia 29 de junho no Hospital Português, vítima das conseqüências maliciosas de um câncer de próstata.

Hoje, posso dizer que conheço a dor e a sensação de impotência que muitos já devem ter sentido nos últimos momentos compartilhados com seus entes queridos, roubados do nosso convívio pelo câncer. O câncer de próstata pode ser silencioso na sua chegada, mas foi causador de grandes dores e sofrimentos antes de terminar o seu ciclo macabro.

Em primeiro lugar, quero tornar público o meu agradecimento ao Dr. Paulo, mais carinhosamente chamado por mim como "Meu Pai-Pai". Não são todas as pessoas que têm a oportunidade, como eu, de contar com duas figuras de pai na vida terrestre. De fato, tive um pai biológico maravilhoso que, infelizmente, conheci por pouco tempo por uma decisão pessoal de entrar no seminário aos treze anos de idade a fim de seguir o caminho do sacerdócio – que por sinal foi o que me trouxe para o Brasil. Ele morreu em 1972, quando já estava aqui, e não tive oportunidade de vê-lo antes.

Foi aqui que conheci o Dr. Paulo, com sua esposa Alba e seus cinco filhos: Vivina, Aureliano, Paulinho, Liana e Carlos. Não é de estranhar, para quem conheceu o Dr. Paulo, que a nossa convivência iniciou graças ao seu grande espírito humanístico, num trabalho de desenvolvimento comunitário num lugar chamado "Ilha do Destino", no bairro de Boa Viagem.

Este trabalho, de fato, traçou o meu destino. O Dr. Paulo chamou a sua sobrinha para me ajudar num levantamento estatístico dos moradores da Ilha. Não podia ter feito coisa melhor na vida. Para encurtar a história, casei com a sobrinha e ela continua me ajudando até hoje, passados mais de 32 anos. Terminei adotando a família do Dr. Paulo como minha família brasileira. O Dr. Paulo percebeu a sintonia existente e passou a brincar na rua, me apresentando as vezes como o seu filho mais velho. Acredite ou não, muitos achavam que éramos muito parecidos um com o outro.

Mais do que outra coisa, o Dr. Paulo foi o responsável pela minha entrada na Universidade Federal de Pernambuco. Primeiro, foi no Hospital das Clínicas da UFPE, o então Hospital Pedro II, como Chefe do SAME e depois, após o mestrado em administração hospitalar, como Professor do Departamento de Ciências Administrativas.

No primeiro estágio tive o prazer de trabalhar muitas vezes com ele, não somente no HC como meu Chefe de Serviços Técnicos, mas também como treinador do pessoal do então INAMPS, onde ele também trabalhava nas atividades de planejamento e administração. Ele sempre me ensinava que devemos colocar o Paciente em primeiro lugar e lutar para racionalizar os processos burocráticos das instituições de saúde, a fim de facilitar a passagem do paciente pelos referidos serviços. Antes de tudo, o paciente é um ser humano e precisa ser tratado como tal. Esta sua mensagem precisa ser lembrada sempre por aqueles que tratam da saúde do seu semelhante. A dor, o medo e a angústia dos pacientes e dos seus familiares e amigos precisam ser respeitados. Antes de falar, o médico deve ser um bom ouvinte.

Como professor da Faculdade de Medicina, cirurgião do Departamento de TOCE, ou base de técnica de cirurgia, ele deve ser conhecido, também, por muitos médicos na cidade. Seu alto grau de "curiosidade intelectual" e dedicação ao ensino foi um grande estímulo para mim. Posso dizer que ele foi o meu guru acadêmico, a quem devo muito. Mesmo no ensino da disciplina "Problemas Brasileiros", que ele resolveu assumir, discutimos muito em como incentivar os alunos a se dedicarem ao desenvolvimento da comunidade. Realmente, foi uma pessoa que viveu para os outros. Quem o conheceu pode confirmar isto. Não importava o que estava fazendo, sempre teve tempo para explicar um assunto ou tirar uma dúvida.

Finalmente, quero agradecer ao Dr. Paulo pelo amor a vida que ele me passou. Era um homem dedicado à família, mas não apenas à família sangüínea, mas a todos que compartilhavam da sua filosofia de vida. Era espírita e pregava o convívio fraterno entre todos. Ele mesmo foi um exemplo vivo da sua filosofia. Por onde andava, levava luz, paz e harmonia.

Para mim, Dr. Paulo foi um verdadeiro pacificador, demonstrava nos seus atos como a vida podia ser bela. Acho que até na Sociedade de Medicina de Pernambuco, onde atualmente ocupava uma posição na diretoria, o seu espírito humanístico deixou sua marca. Quem participava das "festas" ou encontros que planejava, podia verificar o brilho nos seus olhos quando encontrava com os seus colegas. Foi um lutador, até o fim da vida.

Termino aqui declarando, em nome da sua esposa, dos filhos, dos demais parentes e de todos aqueles que compartilhavam a sua amizade, que vamos sentir muitas saudades, mas prometemos continuar na sua luta pela paz universal e o amor fraterno. Faço um apelo, também, para que todos procurem fazer seus exames preventivos ou pelo menos busquem o diagnóstico precoce. Não deixe esta doença arrancar os seus entes queridos, antes do tempo. A saudade não tem limite, mas a negligência, sim. Vamos fazer tudo o que for possível para eliminar esta desgraça da nossa vida.

HOSPITAL DE CÂNCER DE PERNAMBUCO
DEPARTAMENTO DE CONTROLE E PREVENÇÃO
Internet
http://www.hospcancer-pe.org.br
Contato: Isabel Melo
(isabel@hospcancer-pe.org.br)
Fone: 3423.2088 ramal 188 (07:00 às 13:00h)

* Dr. Jaime de Queiroz Lima - Médico; Chefe do Departamento
James Anthony Falk, Ph. D. - Assessor do Grupo de Pesquisa

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Jornal do Commercio
Recife - 09.07.2001
Segunda-feira