Não tem salsa, merengue, rumba ou axé-music nenhuma nesse mundo capaz de abafar o sucesso que um trio de forrozeiros do Recife faz no Festival Latino-Americano de Milão. O sanfoneiro Ronaldo Ferreira da Silva, o Ferreirinha, lidera o Forró Pé no Chão um dos principais atrativos das noites no pavilhão internacional.
Todas os dias, os bares e restaurantes travam brigas homéricas para saber quem poderá contratar o trio para tocar. Na quarta-feira passada, depois de subirem ao palco principal, na homenagem a Luiz Gonzaga, os recifenses se transformaram na sensação da churrascaria brasileira, no centro da feira. Com 22 anos de carreira, o Forró Pé no Chão deu, este ano, o seu primeiro passo fora do Brasil, encantando os gringos com canções de Gonzagão, Jackson do Pandeiro e Trio Nordestino.
A empreitada européia de Ferreirinha, José Alves (zabumba) e Everaldo (triângulo), começou em junho e só acabará em agosto. Mesmo sem falar uma palavra de italiano, os três conseguem se comunicar com o público, que já aprendeu a pedir canções como Rindo à Toa, do Falamansa, e do disco novo de Gilberto Gil. “Eu só entendo uma palavra das 50 que eles falam. Eles também só entendem meia das 50 que eu digo. Mas tá tudo bom” disse Ferreirinha.
O sanfoneiro encara os gringos sem medo e até dá notas para o rebolado europeu. “É tudo duro. Só melhora quando bebe”, afirma. Enquanto vão tocando, os três aproveitam para ganhar uns trocados. Ninguém é de ferro e precisa faturar para garantir o pão italiano de cada dia. “Eita terra cara danada. Um refrigerante é cinco paus e uma água é quatro”, advertiu o sanfoneiro, que só lamenta a distância da família. “A mulher está em casa, mas eu venho para cá até de graça”, acrescentou.