LG_jc.gif (3670 bytes)

SEQÜESTRO
Resgate pago foi o 3º maior do Estado

Seqüestradores receberam quase R$ 400 mil para soltar o empresário Mário Barbosa Filho. Quarta-feira, a vítima prestará depoimento formal à polícia

O resgate pago pela família do empresário de Garanhuns Mário Barbosa Filho, 56 anos, está entre as três quantias mais altas obtidas por seqüestradores em Pernambuco. Segundo amigos da família, o montante ficou perto de R$ 400 mil, um valor só inferior ao pago nos seqüestros dos empresários Arthur Schwanbach, ocorrido em 99, e Miguel Sampaio, registrado em 95.

Por enquanto, o Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil ainda está analisando as informações passadas por Mário Barbosa Filho para tentar chegar aos seqüestradores. O empresário só vai prestar depoimento formal na próxima quarta-feira. O delegado Aníbal Moura, titular do GOE, está em Garanhuns conduzindo pessoalmente as investigações.

De acordo com o empresário, o primeiro cativeiro onde ele passou uma semana era uma casa de praia distante cerca de três horas de Garanhuns. “Dava para ouvir o barulho de mar e tinha muita muriçoca”, lembrou a vítima. Pelos cálculos da polícia, o cativeiro pode estar entre os municípios de Tamandaré e Maragogi, em Alagoas.

Depois de sete dias, Mário Barbosa Filho passou para uma casa simples, num sítio. Como ele rodou apenas uma hora, desse local até ser solto no município de Frei Miguelinho, a suspeita é de que o segundo cativeiro seja no Agreste do Estado, com acesso por estrada de barro.

Conforme as informações prestadas pelo empresário, a quadrilha tinha pelo menos cinco integrantes e utilizava caminhonetes nos deslocamentos. O seqüestro foi bem planejado e os dois cativeiros já haviam sido preparados, inclusive com um banheiro improvisado no segundo e as janelas parafusadas no primeiro.

Os indícios mais fortes são de que um dos cativeiros ficava fora do Estado, em um município de divisa, já que os bandidos compravam os jornais locais diariamente e reclamavam quando alguma notícia relacionada ao seqüestro do empresário era divulgada na imprensa.

Mário Barbosa Filho foi seqüestrado no dia 15 de junho e só foi solto depois que a família fez um apelo público pedindo para que os bandidos, que estavam sem fazer contato, voltassem a negociar o pagamento do resgate. Ele chegou em casa abatido, mais magro e com a barba por fazer. Após passar o final de semana descansando com a família, o empresário já começa a trabalhar hoje, quando reassume o comando de sua rede de supermercado.

___________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 09.07.2001
Segunda-feira